segunda-feira, 2 de novembro de 2009

novembro iniciando pela música

ou, usando a frase de Celsinho, o que está bombando no meu mp3-player: Dent May and his magnifcent ukulele, em especial a canção Oh Paris! E já estou escutando as canções há várias semanas. Acho que é a melhor coisa que ouvi faz tempo (saudades do Two Gallants......). No ensaio de quinta tocamos "There is a light.....", que o pessoal tinha tirado no dia que nao fui, e me arrepiei, claro. Tou gargarejando para ver se a voz melhora. Será que eu ainda convenço a galera a tocar Oh Paris! ? Acho que vou comprar um cavaquinho.
Acabo de ler que Dent May está com a gripe suína, e cancelou os shows desta semana....

domingo, 25 de outubro de 2009

domingo de manha na tv, parte 2

o lançamento imobiliário em si já é uma temeridade (no Rio Vermelho, no meio do engarrafamento 24 horas, época de novos parâmetros urbanísticos, novos gabaritos e as ruas aquelas mesmas projetadas para dar acesso a casas), mas o trecho do programa a que assisti hoje chamava a atenção por outro motivo.
Ao ouvir a entrevista sobre a decoração dos espaços comuns e do apartamento demonstrativo, assinada por duas arquitetas, me veio a impressão de que tudo está muito errado mesmo: as perguntas e as respostas eram apenas pontos para que fosse feito um comercial dos serviços e produtos relacionados àquilo que estava sendo filmado. A atividade do arquiteto aparece ali, num programa de domingo pela manhã, como a de um simples anunciante comercial de objetos, serviços de marcenaria e tecidos. Mesmo com algum traço de ingenuidade, me permitam dizer aqui: arquitetura é outra coisa.

um primeiro e rápido balanco do workshop

Ontem terminou o workshop "Que cidade é essa?" e, apesar da ressaca do cansaço, já estou com saudades. Para mim foi emocionante ver tantos estudantes, professores e convidados trabalhando com tanta vontade a partir de temas primordiais para a melhoria da qualidade de vida na cidade de Salvador. A produção de uma semana é simplesmente fantástica.
O grande lance é provavelmente ver pulsante uma certa noção de otimismo que, assim eu entendo, está intimamente associada à profissão de arquiteto. Já estou pensando na próxima edição, podem aguardar!

domingo, 11 de outubro de 2009

na tv domingo pela manha

como quem não quer nada, liguei a tv e dei uma olhada geral nos canais, parei num anúncio de um condomínio feito por uma mulher de voz rouca. Não é preciso comentar a edificação a que ela se referia, mas o texto era interessante: "o condomínio está localizado próximo às necessidades básicas da família, como escolas, áreas de lazer, shoppings, etc" Este modo arquitetônico de anulação do uso da rua na cidade de repente se tornou uma necessidade da família soteropolitana!
Na sequência, em vídeo gravado em dia de menor rouquidão, a mesma apresentadora falava maravilhas de um outro empreendimento, cuja perspectiva demonstrava semelhanças indiscutíveis com os já demolidos complexo penitenciário do Carandiru, em Sao Paulo, e o conjunto Pruit-Igoe, em Saint Louis, nos Estados Unidos. É tudo tão redondo, certinho, tão conectado, que não pode ser coincidência: estamos celebrando o enterro de uma cidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

nem berlusconi.....

é mais igual que os outros, hoje sua imunidade frente à justiça caiu, uma lei que ele mesmo tinha feito para se proteger. A partir de hoje volta a valer na Itália a noção básica de que todos são iguais perante a lei. Ele deve estar com inveja de Sarney, que nem precisa de uma lei para isso, basta a palavra do presidente do país!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

casa da mae joana

mais uma embaixada brasileira invadida: estudantes em Caracas exigem que o Brasil faça a intermediação para que a comissão de direitos humanos da OEA vá a Venezuela. Eles têm direito, está na hora: incomodados e inconformados de todo o mundo, uni-vos, as embaixadas da mãe joana vos acolherá!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

provincianismo baiano, reloaded

a cobertura que o jornal de maior circulação do estado fez em sua versão online do nascimento do filho de Ivete Sangalo é tão idiotizante, estúpida e cafona, que parece ter sido escrita por uma das garotas de 12 anos de idade que permaneceram à frente do hospital no fim de semana na condição de fã da cantora. Acho que as garotas fariam melhor. Logo estaremos no lugar onde o vento faz a curva, rebolando.

mais de 20.000

minhas fotos no flickr chegaram ao incrível número de 20.000 visualizacoes, os sites do ArchDaily e Plataforma Arquitectura contribuíram muito para isto.

sábado, 3 de outubro de 2009

2016


Paço Imperial, Rio de Janeiro

Faz exato um mês eu estava no Rio, para o seminário do docomomo. A forte impressão que esta estadia deixou em mim registrei aqui em algumas postagens: a cada visita, nos últimos 15 anos, o Rio vem se tornando uma cidade cada vez melhor; o salto de um ano e meio para cá é entretanto incrível.
O fato de o Rio ter vencido a candidatura à sede das Olimpíadas de 2016, por mais que nós brasileiros sejamos melhor em publicidade do que em qualquer outra coisa, corresponde não somente a um projeto de futuro, é fruto de um forte movimento que já é parte do cotidiano da cidade. Desde a perspectiva de alguém que vive em Salvador, o Rio é hoje um lugar onde os moradores resolveram enfrentar os problemas e tomar as rédeas da cidade.
A emoção de ontem tem a ver com a sensação de estar no caminho certo.  A senhora, meio decadente, despeitada por ter perdido o trono, parece ter ficado definitivamente para trás.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

california, não tão de repente

Há uns dias atrás assisti ao filme De repente Califórnia (título original Shelter), um "feel-good-movie" de temática gay. Algumas pessoas haviam se referido ao filme como "uma sessão da tarde qualquer, uma história boba, besta, de diferente apenas o fato de a história envolver dois personagens gays". Pensei que exatamente isso me atraía em ver o filme.
Fui e gostei. É verdade que eu estava precisando de assistir a um "feel-good-movie". E desde o início me perguntava a relação que poderia haver entre o título da canção de Lulu Santos e o filme, e aparentemente não há nenhuma. Mas continuo não entendendo a percepção negativa de um filme gay com uma história bobinha de final feliz: saí do cinema achando que este era um dos grandes lances do filme.
Há uns vinte e cinco anos atrás, na época da canção praeira-surfista "I-wanna-be-like-the-USA" de Lulu Santos, quando o Legião Urbana recorria a uma retórica envolvendo medo, culpa e confusão, para rimar com um " meu corpo [que era o] teu espelho", teria sido inimaginável um filme assim. Filmes gays, que envolvessem coming outs ou histórias de amor ainda tinham uma chance grande de tratar do suicídio de um dos personagens, tristezas e impossibilidades.
E o filme é bom nisso: atores com ótimo desempenho em uma história de descoberta e amor, que não deixa de ter todas as incertezas de um coming out, mas sem grandes tragédias inevitáveis. Ao contrário. Ele é como o reverso saudável de Brokeback Mountain. Substitua os cowboys por surfistas, ponha a história poucas décadas à frente, e veja o que mudou.
Um ponto alto do filme é a sua trilha sonora: não há como duvidar que a melhor música popular do mundo vem desde há muitas décadas dos Estados Unidos. Compare por exemplo a qualidade das canções especialmente compostas para o filme com o tipo de música que a Globo vem usando em suas novelas, e você provavelmente irá concordar comigo.
Os vinte e tantos anos entre a canção e o filme (os dois De repente Califórnia) não são tão de repente assim. Mas se há algo que relaciona os dois, então é a determinação na costa do pacífico de "nem sentir saudade do que já passou". Você já foi à Califórnia?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

mania de grandeza ou tirando onda

Seria coincidência demais tudo acontecer na mesma semana: o abortado mini-golpista de Honduras com pretensões chavistas volta ao país e se instala na embaixada brasileira; assembléia geral da ONU; o Brasil, que pleiteia uma vaga permanente no conselho de segurança, solicita uma reuniao para tratar do assunto; o Brasil falta à reuniao sobre o meio-ambiente (para nao desviar as atenções?); o presidente do Brasil falará hoje diante da assembléia das nações unidas. Antes só os grandes usavam de problemas de países pequenos para vantagem própria. Parece que o Brasil está tirando onda...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o desaparecimento de jane fonda

A derrubada de barracas de praia na orla de Salvador é algo que somente pode ser elogiado. Há que apenas manter a vigilância para que as que restaram venham a ter o mesmo fim, e nao servirem de núcleos para uma retomada da praia pelas cadeiras e mesas em algum futuro próximo.
Porém, com a derrubada de algumas barracas na Pituba e em Amaralina, há alguns dias, foi-se embora também um dos letreiros comerciais mais inusitados do mundo, se é que aquela placa de madeira com as letras talhadas pode ser enquadrada em tal categoria: em frente à chegada da rua rio grande do sul na orla, foi levada junto com a barraca a placa que a anunciava, onde há anos estava escrito "Jane Fonda, um toque de aconchego" , e com ela foi-se algo de deliciosamente absurdo e divertido, nonsense total na paisagem urbana do bairro. A Pituba ficou ainda mais careta.