Cheguei ontem a Munique, cansado, dormi pouco durante o vôo, pois muitos passageiros assistiram a uma comédia e riram muito. Eu vi dois outros filmes, uma comédia romântica boa "Ele não está tão a fim de você", com um elenco só de gente famosa, e um filme muito interessante e intenso com Felicity Huffmann, de cabelos pintados de preto, "Phoebe's wonderland".
Lisboa, como sempre, com policiais fazendo questão de ser muito antipáticos no controle de passaporte. Aqui tudo verde. À noite, em Traunstein, comi um fígado com batatas delicioso. Hoje pela manhã, chegando de trem em Salzburgo, vi a obra do prédio da Humboldtstrasse, que já está no primeiro andar, que emoção. O trem a Viena era um dos novos que não conhecia, super velozes e com um interior bem diferente. Daqui a pouco vou para o show de Morrissey, no Gasômetro.
Sábado, 11 de Julho de 2009
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
em ruínas
Anteontem passei pela Praça da Sé, depois de subir o plano inclinado. Tomei um susto: o Palácio Arquiepiscopal está em avançado processo de arruinamento. Os degraus da escadaria na sua entrada estão se desfazendo e uma calha rompida está simplesmente solta, fazendo com que a água da chuva destrua velozmente a sua fachada.
O abandono do centro antigo de Salvador é fato consumado, mas a igreja católica é uma instituição riquíssima. Ainda que não o fosse, ao menos o dinheiro conseguido com a venda da residência dos bispos no Campo Grande para dar lugar a um dos edifícios mais horrorosos da cidade deveria ter garantido pelo menos por um bom tempo a manutenção do Palácio.
Mas frente ao estado em que se encontra o claustro de São Francisco, também em Salvador, tentar salvar o Palácio Arquiepiscopal pode ser um luxo. Qualquer coisa na Bahia de hoje, que esteja além do nível da habitação para baixa renda de péssima qualidade, parece ser um luxo. Pobre país.
O abandono do centro antigo de Salvador é fato consumado, mas a igreja católica é uma instituição riquíssima. Ainda que não o fosse, ao menos o dinheiro conseguido com a venda da residência dos bispos no Campo Grande para dar lugar a um dos edifícios mais horrorosos da cidade deveria ter garantido pelo menos por um bom tempo a manutenção do Palácio.
Mas frente ao estado em que se encontra o claustro de São Francisco, também em Salvador, tentar salvar o Palácio Arquiepiscopal pode ser um luxo. Qualquer coisa na Bahia de hoje, que esteja além do nível da habitação para baixa renda de péssima qualidade, parece ser um luxo. Pobre país.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
funcionário padrão
Creio que todo mundo já deve ter visto em redes de alimentação rápida, quase sempre internacionais, mas não só neste tipo de estabelecimento, uma foto emoldurada com o melhor vendedor do mês ou da semana.
Tive que lembrar destas imagens quando vi na TV a reportagem sobre o médico plantonista em um hospital público no Rio de Janeiro que além de se recusar em atender três mulheres em trabalho de parto, escreveu de caneta no braço de uma delas as linhas de ônibus que elas deveriam tomar para ir a um outro hospital. As três crianças morreram e uma das mães estava internada até hoje.
Isto deve ter acontecido apenas por elas serem gente comum. Só gente comum vai a hospital público, aliás gente comuníssima. O tal médico parece ter raciocinado assim: "Gente comum já não tem direito a hospital decente, para que então ambulância? Ambulância só para gente especial, assim tipo senadores!"
Será que por tamanha desenvoltura lógica ele também irá ganhar uma foto emoldurada?
Tive que lembrar destas imagens quando vi na TV a reportagem sobre o médico plantonista em um hospital público no Rio de Janeiro que além de se recusar em atender três mulheres em trabalho de parto, escreveu de caneta no braço de uma delas as linhas de ônibus que elas deveriam tomar para ir a um outro hospital. As três crianças morreram e uma das mães estava internada até hoje.
Isto deve ter acontecido apenas por elas serem gente comum. Só gente comum vai a hospital público, aliás gente comuníssima. O tal médico parece ter raciocinado assim: "Gente comum já não tem direito a hospital decente, para que então ambulância? Ambulância só para gente especial, assim tipo senadores!"
Será que por tamanha desenvoltura lógica ele também irá ganhar uma foto emoldurada?
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
cacoete
Sei que estes vícios de linguagem são como ondas, começam em um lugar, reaparecem em outros, vão e voltam, mas atualmente é difícil ter uma conversa em Salvador com mais de três frases que não inclua um famigerado "na verdade". Eu sempre tenho a impressão de que a última frase dita antes da expressão foi uma grande mentira e a conversa assume ares de quadros humorísticos da tv, onde parodiando novelas latino-americanas de língua espanhola, um personagem vai tirando uma sequência de máscaras, revelando identidades em cascata. Cascata é aliás sinônimo de inverdade.
ladrão que rouba ladrão....
Segundo a Folha de São Paulo, "Em 24 de maio de 2007, Zelaya (o presidente deposto da Honduras) ordenou que todos os canais de rádio e televisão de Honduras passassem 2 horas diárias de propaganda do governo."
Ele queria de qualquer jeito impor um referendo, considerado ilegal pela Suprema Corte do país, dedicado a mudar a constituição para que ele se re-elegesse. Assim, tipo Chavez.
Eu até agora não sei quem não é golpista nesta história hondurenha.......
Ele queria de qualquer jeito impor um referendo, considerado ilegal pela Suprema Corte do país, dedicado a mudar a constituição para que ele se re-elegesse. Assim, tipo Chavez.
Eu até agora não sei quem não é golpista nesta história hondurenha.......
Domingo, 28 de Junho de 2009
escolha estranha
Entre as capas de jornais mundo afora, a do Jornal A Tarde talvez tenha sido a única que estampava a imagem, de péssima qualidade, que mostrava Michael Jackson sendo atendido na ambulância para noticiar na sexta-feira a sua morte. Os outros jornais ilustraram o cantor dançando ou cantando, ou através de uma de suas milhões de fotos promocionais. Provavelmente isso deve ter alguma relação com o sucesso absurdo na Bahia dos programas de meio-dia na TV destinados a divulgar imagens de gente agonizando depois de terem sido atingidas por algum tipo de violência. Questão de cotidiano. E de como tratar com ele.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
morreu Michael Jackson
Quando Thriller foi lançado eu já estava programado para nao gostar das suas cançoes. Em parte, uma pequena parte provavelmente, porque eu estava naquele grupo de adolescentes que achava o surf uma besteira, lia livros de Garcia Marquez e só escutava música brasileira (é, ainda existia disso na primeira metade dos anos 80). Madonna e Michael Jackson eram os grandes exemplos do que poderia haver de pior da cultura norte-americana.
A maior razão no entanto residia no fato de que o maior fã de Michael Jackson que eu já conheci pessoalmente era um garoto da vizinhança que também era a figura mais chata e antipática de todo o bairro (para mim, pelo menos). Ninguém no colégio, ninguém que eu tivesse conhecido até então era tão alucinadamente obstinado em se tornar o chefe de tudo, o líder de todos e todas as brincadeiras da vizinhança. Ele tinha o nome de Pelé (Edson, aliás nunca usado) e o apelido - cujas razoes até hoje não posso imaginar - de paizinho. Sabia todas as coreografias dos clips de MJ e por um bom tempo não abria mão da terrível combinacão michaeljacksoniana de sapato preto com meia branca. Nao lembro quanto tempo depois ou mesmo antes de Thriller (A.T. ou D. T., no tempo infinito de quem não era adulto esta é a divisão básica dos anos 80), deixei de falar com aquele cara, mas também era uma época em que os amigos do Colégio já haviam se tornado mais importantes no meu cotidiano do que os da vizinhança. De qualquer maneira para mim, Michael Jackson estava associado definitivamente à imagem deste vizinho, daí era difícil ter alguma simpatia por ele.
Mas tão presente quanto esta associacão, está na memória o inevitável fascínio pelo videoclip de Thriller. Da primeira vez que vi, deve ter sido no Fantástico, onde na época se viam vídeos de música, tenho uma lembrança clara de êxtase. A sensação de estar diante de algo completamente novo e radical, uma sensação que correspondia à transformação definitiva da música pop que dali sairia. A recepção de Thriller era proporcional - e inconsciente, e daí mais forte - ao reconhecimento da pontente inversão da relação entre imagem cinematográfica e música que aquele vídeo realizava. Não lembro quantas vezes o revi, ali entre 1982 e 1983, todos nós o fizemos. E gracas a Thriller guardo uma outra memória, esta muito afetiva, desta mesma época. Lela tinha por volta de 2 anos e morava na Pituba. Morria de medo dos monstros que, esfarrapados, abandonavam os túmulos para dançar com Michael Jackson. Primeiro, somente diante das imagens, depois apenas ao ouvir a canção na rádio, Lela saía de onde estivesse conrrendo em direção à mãe, pedindo "Macunjécsu não, mainha, que eu tenho medo!" Nós, adolescentes, ríamos com a sua pronúncia infantil do nome, mas Lela chegava a chorar e trocávamos logo de estação. Às vezes, só funcionava mesmo desligando a rádio, pois ele estava em todas.
Depois disso, Michael Jackson veio me emocionar ao trazer repetidas vezes para a televisão em Viena as imagens do Pelourinho e Olodum. Acho que até hoje esta deve ter sido a única ocasião para isto na TV na Europa Central. Eu lembro que, na época, um VJ da emissora de clips alemães Vivo chegou a comentar: "veja só, eu nunca soube que no Rio de Janeiro tinha estas casas históricas tão bonitas e coloridas."
Acho que temos que escolher uma canção dos Jackson Five para tocar no sábado. Lembro da infância e dos desenhos animados da banda. Homenagem musical.
A maior razão no entanto residia no fato de que o maior fã de Michael Jackson que eu já conheci pessoalmente era um garoto da vizinhança que também era a figura mais chata e antipática de todo o bairro (para mim, pelo menos). Ninguém no colégio, ninguém que eu tivesse conhecido até então era tão alucinadamente obstinado em se tornar o chefe de tudo, o líder de todos e todas as brincadeiras da vizinhança. Ele tinha o nome de Pelé (Edson, aliás nunca usado) e o apelido - cujas razoes até hoje não posso imaginar - de paizinho. Sabia todas as coreografias dos clips de MJ e por um bom tempo não abria mão da terrível combinacão michaeljacksoniana de sapato preto com meia branca. Nao lembro quanto tempo depois ou mesmo antes de Thriller (A.T. ou D. T., no tempo infinito de quem não era adulto esta é a divisão básica dos anos 80), deixei de falar com aquele cara, mas também era uma época em que os amigos do Colégio já haviam se tornado mais importantes no meu cotidiano do que os da vizinhança. De qualquer maneira para mim, Michael Jackson estava associado definitivamente à imagem deste vizinho, daí era difícil ter alguma simpatia por ele.
Mas tão presente quanto esta associacão, está na memória o inevitável fascínio pelo videoclip de Thriller. Da primeira vez que vi, deve ter sido no Fantástico, onde na época se viam vídeos de música, tenho uma lembrança clara de êxtase. A sensação de estar diante de algo completamente novo e radical, uma sensação que correspondia à transformação definitiva da música pop que dali sairia. A recepção de Thriller era proporcional - e inconsciente, e daí mais forte - ao reconhecimento da pontente inversão da relação entre imagem cinematográfica e música que aquele vídeo realizava. Não lembro quantas vezes o revi, ali entre 1982 e 1983, todos nós o fizemos. E gracas a Thriller guardo uma outra memória, esta muito afetiva, desta mesma época. Lela tinha por volta de 2 anos e morava na Pituba. Morria de medo dos monstros que, esfarrapados, abandonavam os túmulos para dançar com Michael Jackson. Primeiro, somente diante das imagens, depois apenas ao ouvir a canção na rádio, Lela saía de onde estivesse conrrendo em direção à mãe, pedindo "Macunjécsu não, mainha, que eu tenho medo!" Nós, adolescentes, ríamos com a sua pronúncia infantil do nome, mas Lela chegava a chorar e trocávamos logo de estação. Às vezes, só funcionava mesmo desligando a rádio, pois ele estava em todas.
Depois disso, Michael Jackson veio me emocionar ao trazer repetidas vezes para a televisão em Viena as imagens do Pelourinho e Olodum. Acho que até hoje esta deve ter sido a única ocasião para isto na TV na Europa Central. Eu lembro que, na época, um VJ da emissora de clips alemães Vivo chegou a comentar: "veja só, eu nunca soube que no Rio de Janeiro tinha estas casas históricas tão bonitas e coloridas."
Acho que temos que escolher uma canção dos Jackson Five para tocar no sábado. Lembro da infância e dos desenhos animados da banda. Homenagem musical.
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
alívio
Ontem ao entrar no supermercado dei de cara com a capa de Veja desta semana. Fiquei aliviado. Até agora tinha achado muito fraca a reação da imprensa à defesa do Presidente da República de uma sociedade formada de cidadãos especiais e outros comuns. Ainda acho que em uma democracia decente a tal frase seria motivo da saída do cargo de um presidente ou primeiro-ministro. Mas com certeza este não é o caso do Brasil.
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
a caminho da índia
Ontem, frente às denúncias de irregularidades no Senado, o presidente do Brasil disse que o senador Sarney deveria ser tratado de maneira diferente, que ele não era gente comum. Lembrei de um refrão bom de uma canção de sucesso de uma banda chata dos anos 80: "todos iguais, mas uns mais iguais que outros". Há gente que votava no partido do presidente por achar que coisas como estas deveriam ser mudadas... mas isso já é um passado distante. Eu fiquei achando que o presidente deve estar acompanhando com grande assiduidade a atual novela das oito da rede globo de televisão.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
entre a liberdade e o populismo
Artigo de Vargas Llosa em El Pais sobre a participação dele no famoso fórum na Venezuela há alguns dias. Poderia encerrar aqui, sem comentários. Mas fiquei pensando nas possibilidades que o Brasil hoje oferece aos governantes de fazer uma conexão entre os dados das eleições e aqueles de programas sociais.... dá medo.
O artigo de Vargas Llosa:
http://www.elpais.com/articulo/opinion/libertad/Hugo/Chavez/elpepiopi/20090614elpepiopi_13/Tes
O artigo de Vargas Llosa:
http://www.elpais.com/articulo/opinion/libertad/Hugo/Chavez/elpepiopi/20090614elpepiopi_13/Tes
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Terça-feira, 9 de Junho de 2009
língua viva
Acabo de ler numa reportagem do Jornal do Brasil on line que o robô que irá procurar a caixa-preta do avião acidentado da Air France "circula em triângulos" !
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