terça-feira, 12 de agosto de 2008

Depois das pedras portuguesas, acessibilidade em toda Salvador

Os técnicos da FML, responsáveis pelo projeto que retirou as pedras portuguesas da Barra, sabem como fazer para que elas sejam bem instaladas. Isto pode ser lido em um email-corrente com o qual eles defendem o seu projeto. Nunca duvidei desta capacitação técnica.


Daí que, se há o saber técnico para tal e de acordo com a defesa do projeto que pode ser lida no site do Ministério Público, a única argumentação que restaria contra as pedras portuguesas é que, ainda que corretamente aplicadas, elas continuariam a descumprir o estabelecido pela ABNT no que diz respeito a acessibilidade.


Sem entrar no mérito da ABNT – e caberia ao Ministério Público levar a ação até o questionamento da própria ABNT – eu gostaria que os funcionários públicos fossem conseqüentes em seu argumento, mesmo que conseqüência não é algo que se exija de ninguém no Brasil.


É chegada a hora de fazer o Pelourinho entrar nas normas da ABNT: removamos todo o calçamento histórico, que sejam instalados em todos edifícios do centro histórico – sem exceção – elevadores que permitam cadeirantes fazer um giro completo antes ou depois do embarque.


Que a acessibilidade não seja uma questão para ricos, uma questão apenas importante na orla da Barra: que absolutamente todas as encostas cobertas com bairros populares sejam atendidas por planos inclinados, e que caminhos sem degraus levem cadeirantes pobres a cada casa de favela. E para não parecer que passei para o lado dos que defendem favela, creio que seria também tarefa da FML produzir montes de projetos para elevadores para cada edifício de todos os conjuntos habitacionais da cidade, para que cada apartamento seja acessível, e exigir por lei que cada morador adapte o seu banheiro e suas portas internas para o uso por cadeirantes.


Isto poderia contemplar um certo desejo de totalidade expresso no dito email, segundo o qual, se fosse possível, a FML removeria todas as pedras portuguesas da cidade. Acabo de propor um horizonte infinito para tal empreitada.


Não deveriam esquecer também de arrebentar as escadarias da igreja do Bomfim e instalar uma daquelas rampas horrorosas que conhecemos das portas de agências bancárias. Se bem que ali não seria exatamente preciso, pois, segundo a tradição, quem vai ao Bomfim já vai levando um ex-voto para pagar a promessa por um membro curado. A Salvador só resta um milagre.

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