quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Niemeyer Mae Menininha Phillip Glass Madonna

Fiquei com um misto de emoção e alegria ao ler no fim de semana que Oscar Niemeyer apóia a candidatura de Gabeira à prefeitura do Rio. Na foto que ilustrava a matéria na internet, a imagem de Niemeyer aos 100 anos acrescentava à toda a sua firmeza de opção política – e Gabeira continua sendo para mim um dos pouquíssimos políticos do país que merecem meu respeito – inevitavelmente um certo ar de idoso sábio, a quem se vai pedir conselho e proteção, assim como se ia na Bahia a Mãe Menininha do Gantois.

Há dez anos atrás vivi uma das situações mais emocionantes em termos profissionais: logo no início da excursão didática com estudantes e professores da Universidade Técnica de Viena, eu estive por algo mais de meia hora ao lado de Oscar Niemeyer, no seu escritório, traduzindo ao alemão a sua aula para os austríacos. Havíamos chegado ao Rio sem a confirmação do encontro, e menos de 48 horas depois estávamos ali. Eu lembro de o coração ter dado uma boa acelerada na hora em que Niemeyer entrou na sala em que o esperávamos, e depois tinha que me concentrar tanto para ouvi-lo, para não interrompê-lo e tentar traduzir consecutivamente as frases ao alemão. Uma palavra eu esqueci por completo: Geländer, corrimão, quando Niemeyer explicava a ausência de corrimão na escada do Itamarati. Mas fiz um gesto e todo mundo entendeu. Creio que, para todos nós, aquele encontro, logo no início da viagem, tenha sido o ponto alto de toda a excursão. Para mim de qualquer jeito.

Faz alguns dias, Celso Jr. (http://cadernosgrampeados.zip.net/) escreveu que ele era bem feliz pelo fato de Phillip Glass ser a Madonna dele, referindo-se à possibilidade de poder estar tão perto de alguém quase mítico. Pois é, eu tenho uma pequena lista de Madonnas e Glasses (será que um dia eu vou poder encontrar Flea?), mas Oscar Niemeyer é o meu Phillip Glass.

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