sábado, 11 de outubro de 2008

sobre a morte de haider

O mundo inteiro já noticiou a morte do político mais famoso da Áustria, mas a imprensa estranhamente decidiu até agora há pouco, muitas horas depois, não falar da provável alta velocidade com que o carro se deslocava ou especular sobre uma possível embriaguez. Para qualquer pessoa que tenha visto uma foto apenas dos destroços do carro que ele dirigia, é mais que evidente que a velocidade do automóvel era muito, muito alta.
É claro que em um primeiro momento a ressonância coletiva da morte de uma pessoa pública tenda a estar em primeiro plano. Mas recalcar este aspecto do acidente - a alta velocidade e a irresponsabilidade na direção - me parece muito suspeito, pois afinal este é um dado rapidamente divulgado quando um cidadão comum é o personagem em tal cenário. E na imprensa um cidadão comum que, em alta velocidade, cause um acidente com mortes - mesmo que seja somente a própria, como é o caso - é inevitável e rapidamente transformado em criminoso.
Daí que é no mínimo esquisito o presidente do país declarar o acontecido "uma tragédia pessoal". Isso é pouco e muito. Muito pela freqüência com que pessoas morrem em acidentes de trânsito, pois teríamos o tempo todo tragédias, e aquilo que é tão freqüente acaba perdendo a capacidade de horror. Pouco, frente à possibilidade de, sem o carisma de Haider, os dois partidos de extrema-direita voltarem a ser um único; esta perspectiva, sim, trata-se de uma tragédia, só que coletiva, pois nas eleições de há quinze dias eles chegaram a quase 29% dos votos. E tragédia, porque os sucessores de Haider no partido que ele abandonou há alguns anos, são muito mais à direita que ele.

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