domingo, 5 de abril de 2009

adeus ao moderno

Nesta segunda-feira, dia 6 de abril de 2009, esta casa na Pituba será demolida. Depois do abandono e demolição do Clube Português, este era o último exemplar de arquitetura de uma determinada época na orla do bairro. Nao era qualquer casa: sua varanda é/era (enquanto escrevo ela ainda está lá) icônica. No bairro como um todo, e mesmo em toda a cidade, resta quase nada agora. Vítima por último do novo plano diretor da cidade, seus vizinhos mais recentes já haviam tornado inviável seu uso como residência. Será que um dia a arquitetura desta cidade poderá retomar algum sentido de leveza ao seguir destruindo tudo que um dia tentou ser leve? Quando começarão a ser demolidas as coisas que realmente não deveriam nunca ter sido construídas?

4 comentários :

Joniel disse...

OI Márcio,

Um belo exemplar moderno eterno e anacrônico entregue ao salitre. Esvaziado. Que lástima. Bedauerlich. Triste. A feia Pituba queima o proprio RG e aspira virar Aracaju.

Um abraço,

Joniel

pedro aloisio disse...

Márcio...

Esta casa é um projeto de Diógenes Rebouças. O (ex)dono, o Sr. Daltro, já falecido, era amigo de Diógenes e afirmava ter sido desenhada pelo arquiteto. Não sei se houve registro na Prefeitura, à época, para a sua construção. O filho do Sr. Daltro, contudo, confirma a informação. Eu, antes de ir para Barcelona, entrei em contato com a Empresa, atual dona do imóvel, a qual me autorizou fotografá-la, e com a intenção de escrever algum artigo. Não tive tempo. Falei inclusive com Assis Reis sobre o fato e ele me disse que Diógenes tinha, sim, desenhado uma residência naquele trecho da Pituba. Entretanto, seria necessário levá-lo até lá para fazer o reconhecimento, pois não se recorda do projeto.

Quanto ao fato e falando-se de Assis Reis, recentemente houve também uma demolição de uma linda casa, projeto dele, lá na Rua Valdemar Falcão, no Bairro de Brotas e hoje zona de intenso interesse imobiliário. Nesse caso perdemos a Casa Elza Santa Izabel, um impressionante projeto residencial com a força da contemporaneidade, na Bahia. O trabalho representava a maturidade profissional do arquiteto Assis Reis, a partir do qual transpôs suas idéias para os edifícios em escala vertical. Ele está desapontado e recentemente me pediu que escrevesse um artigo sobre o fato. Dessa vez tem que acontecer.

Contudo, essa questão não esclarece o fato se a abordagem desprezar os procedimentos adotados para a criação de novos focos de interesse, no conjunto da cidade e o aprofundamento do tema. Ao que transparece, o investimento imobiliário em novos pontos, oferecendo novos espaços de trabalho ou moradia, está restrito ao compromisso momentâneo dos "empreiteiros" na reprodução do solo, cuja duração equivale apenas ao tempo de venda das novas unidades, sem que se constituam os procedimentos para a garantia dos espaços tradicionais. E só. E não falo de forma reacionária, desde quando não se pode desprezar essa economia na cidade. Mas, por conseguinte, se a lógica aplicada à geração dos novos espaços não considera a sustentabilidade do que já existe, e o valor da arquitetura enquanto cultura, o que sobra de resto são fragmentos urbanos. Portanto, vamos aos cacos...

Um abraço,

Pedro Nery.

Roberto Leal Neto disse...

Realmente falta um RESPEITO com a arquitura dessa cidade. Quem sabe um dia possamos mudar isso... e só então evoluir.

Isadora disse...

Olá, Márcio.

E aí, Joniel, como vai? :)

Não sei porque continuo insistindo em ler determinadas notícias do jornal. Toda vez que invento ler algo sobre essas polêmicas da cidade, é só para me irritar. Vejo a minha cidade ser destruída, e meu bairro se transformar numa coisa. E me sinto altamente impotente diante disso.

Para que IPHAN? Para que IBAMA? IPAC... o que é isso? Órgãos estúpidos... só servem para atravancar o desenvolvimento da cidade.

Lembro-me perfeitamente do comentário do infeliz: "até eu faço coisa mais bonita (...) O prédio vai ser todo PASTILHADO".

Sim, o infeliz soltou essa pérola, e pastilhas se transformaram em garantia de beleza e qualidade.

O que mais me irrita talvez nem seja o fato dele ter falado isso. Talvez o que mais me irrite é saber que o que ele falou seduz as pessoas.

Vou deixar de ler essas coisas... sou muito jovem para ter um colapso nervoso.

Um dia me mando dessa bomba. Viro um bicho grilo e vou morar numa casinha à beira da praia. Isto é... se sobrar alguma casinha assim, daqui até lá.