sexta-feira, 10 de abril de 2009

deu em A Tarde

Na edição de hoje, 10 de abril de 2009, a jornalista Mary Weinstein publicou um artigo sobre a demolição da casa modernista na Pituba, que eu havia comentado aqui. Para o novo proprietário do imóvel, boa edificação é aquela revestida de pastilha. Parece uma ode ao Júlio Cesar, ali no mesmo bairro.
Na mesma edição do jornal, o Sr. Amando Avena defende as últimas intervenções propostas e realizadas pelo prefeito de Salvador chamando-as de modernização, comparando-as inclusive com o Elevador Lacerda e as avenidas de Vale. Pelos exemplos locais que cita, o autor sugere modernização como o oposto de preservação. Estranho que ele não perceba que para a construção da pirâmide do Louvre, exemplo citado pelo Sr. Avena, não foi necessário por abaixo o edifício histórico.
Acontece que a já velha idéia de modernização também se moderniza e uma das suas forcas mais revigorantes foi a ecologia. Modernizar a Pituba não significa necessariamente verticalizar a sua orla. Enquanto as grandes cidades europeias, grandes mesmo ao lado de Salvador, orgulham-se de terem tornado limpos os rios que as atravessam, Salvador ainda "tapa" os seus, para esconder o fato de eles terem se tornado canais de esgoto a céu aberto. Moderno hoje seria tratar os rios.
Pois é, antes de Londres construir a roda gigante à beira do Tâmisa, outro exemplo citado no referido artigo, este foi saneado em um trabalho que levou anos. É que n
ão haveria público para uma atração destas ao lado de um rio fétido. E para saber que cobrir um rio com superfície impermeável não é a solução indicada, nem seria necessário observar o que europeus fizeram com os seus rios, basta olhar a cada ano no período de chuvas para o vale do Anhagabaú em São Paulo e ter um exemplo do que não deve ser feito.
Eu também gostaria de ver todas as barracas de praia retiradas da orla, mas também todos os restaurantes de alvenaria que querem sucedê-las. Eu também gostaria de ver as praias da cidade limpas, não só as da Cidade Baixa, senão também a Pituba, Armação, Boca do Rio, e sei que quanto mais moradores forem convidados a se instalarem na faixa imediatamente vizinha à orla, mais distante estará a possibilidade de que isso venha a acontecer. Hoje toda a drenagem de águas pluviais sem qualquer tratamento aparente - espero que sejam somente estas... - de toda a Pituba é despejada na areia da praia...
Continuo aguardando ansiosamente a grande época das demolições. Aquelas que atingirão os edifícios construídos e a construir depois da recente liberação do gabarito da orla.
E creio que a atual gestão já entrou para a história da cidade, ao menos pelo que fez com o calçadão do Porto da Barra. Minha opiniao sobre isto e sobre a Av. Centenário já escrevi neste blog.

Um comentário :

Cleiton disse...

A luta do bem contra o mau,do sensível contra o poste, do marketing pessoal e da "tecnólogia simetrica" das novas estruturas visuais contra a criatividade, enfim viva a geração macdonald, tudo prontinho, passe para o outro caixa por favor! assim fica mais fácil e rápido, chamo de automação das idéias.