quarta-feira, 6 de maio de 2009

o Enem e uma luz no fim do túnel para a bahia

Quando na semana passada foram divulgados os resultados do Enem, os jornais em geral repetiram os comentários de sempre: a diferença de desempenho entre as escolas privadas e públicas, as melhores escolas nacionais e em cada estado – e suas receitas de sucesso – e, no caso da Bahia, a constatação de ter o maior número de escolas entre as 50 piores do país e, o que parece mais significativo para o 4° estado mais populoso do país, apenas 3 (três)! escolas entre as 100 melhores.

Tais comentários ano a ano e o próprio Enem parecem-me não ter surtido efeito algum palpável na melhoria de ensino no Estado. O fato de universidades considerarem o resultado do Enem no seu processo seletivo tampouco fez elevar o nível geral, como atestado no último exame.

Mas se associarmos estes resultados à novidade anunciada pelo governo em relação à unificação a nível nacional dos processos seletivos através do Enem, então finalmente surge um mecanismo teoricamente capaz de elevar o nível de ensino no Estado através de uma concorrência verdadeira.

No Brasil até agora estudantes acabam sendo extremamente limitados na escolha da universidade em função do calendário dos exames vestibulares: a maioria já se dá por satisfeito se conseguir prestar todos os exames no seu Estado de origem. Em geral, torna-se muito difícil tentar no mesmo ano algum vestibular em outro Estado do país. E esta é uma das razões que permitem que, em um Estado como a Bahia, as escolas que formam os estudantes que ocuparão as vagas mais concorridas das Universidades no Estado estejam bem abaixo da média nacional.

A partir da constatação de que os outros três Estados com população maior do que a Bahia (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas) tem juntos 73 escolas entre as 100 melhores do país – e que até agora a maioria destes estudantes esteve limitada pelos calendários de vestibulares – e que a mobilidade de estudantes hoje no país é muito maior do que há uma ou duas décadas, torna-se evidente que a unificação nacional do acesso à universidade através do Enem poderá trazer muitos cariocas, paulistas e mineiros para as universidades públicas da Bahia, aqueles que não tendo média para ingressar nas universidades públicas de seus estados, estarão muito à frente dos melhores estudantes baianos.

Em termos das classes média e média alta de Salvador que mantém seus filhos em escolas particulares caras, a situação é ainda pior: das três escolas entre as cem melhores do país, uma está em Feira de Santana, a outra é pública, o Colégio Militar de Salvador. Ou seja, há muita gente pagando muito caro por uma formação de base que, se tudo der certo para o bem do nível geral de educação no Estado, logo não irá garantir o acesso às melhores vagas de ensino superior na Bahia.

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