domingo, 28 de junho de 2009

escolha estranha

Entre as capas de jornais mundo afora, a do Jornal A Tarde talvez tenha sido a única que estampava a imagem, de péssima qualidade, que mostrava Michael Jackson sendo atendido na ambulância para noticiar na sexta-feira a sua morte. Os outros jornais ilustraram o cantor dançando ou cantando, ou através de uma de suas milhões de fotos promocionais. Provavelmente isso deve ter alguma relação com o sucesso absurdo na Bahia dos programas de meio-dia na TV destinados a divulgar imagens de gente agonizando depois de terem sido atingidas por algum tipo de violência. Questão de cotidiano. E de como tratar com ele.

2 comentários :

Gilberto Filho disse...

Difícil mesmo é aceitar à vespertina espetacularização da violência em nossa TV. E o que dizer da sede de imagens de nossos passivos espectadores? Parece remeter aquela música da Legião Urbana que, nos idos de 1986 já indicava o porvir:
"É sangue mesmo, não é merthiolate! Todos querem ver e comentar a novidade. É tão emocinante um acidente de verdade! Estão todos satisfeitos com o sucesso do desastre!"
Por enquanto, vamos nos contentar com a quixotesca ação do Ministério Público da Bahia, que tenta (im)pôr algum ingrediente moral a esse segmento em suas mais recentes ações. Complicado mesmo é tirar da boca do telespectador o viciante gostinho de sangue fresco.
É pouco? Vai o epitáfio da estrofe do Renato Russo:
"Vai passar na televisão..."

Joniel disse...

hehehe... Gilbertinho, nem se incomode. Isso da imprensa sangrenta, fofoqueira e encrenqueira existe desde os tempos de Julio César. A verdade é que existe um universo de morbidez popular da qual ela tira os seus trocados.

(gente, esse blog do Mukti vai terminar virando forum Desata-me/Cyria)