quinta-feira, 25 de junho de 2009

morreu Michael Jackson

Quando Thriller foi lançado eu já estava programado para nao gostar das suas cançoes. Em parte, uma pequena parte provavelmente, porque eu estava naquele grupo de adolescentes que achava o surf uma besteira, lia livros de Garcia Marquez e só escutava música brasileira (é, ainda existia disso na primeira metade dos anos 80). Madonna e Michael Jackson eram os grandes exemplos do que poderia haver de pior da cultura norte-americana.
A maior razão no entanto residia no fato de que o maior fã de Michael Jackson que eu já conheci pessoalmente era um garoto da vizinhança que também era a figura mais chata e antipática de todo o bairro (para mim, pelo menos). Ninguém no colégio, ninguém que eu tivesse conhecido até então era tão alucinadamente obstinado em se tornar o chefe de tudo, o líder de todos e todas as brincadeiras da vizinhança. Ele tinha o nome de Pelé (Edson, aliás nunca usado) e o apelido - cujas razoes até hoje não posso imaginar - de paizinho. Sabia todas as coreografias dos clips de MJ e por um bom tempo não abria mão da terrível combinacão michaeljacksoniana de sapato preto com meia branca. Nao lembro quanto tempo depois ou mesmo antes de Thriller (A.T. ou D. T., no tempo infinito de quem não era adulto esta é a divisão básica dos anos 80), deixei de falar com aquele cara, mas também era uma época em que os amigos do Colégio já haviam se tornado mais importantes no meu cotidiano do que os da vizinhança. De qualquer maneira para mim, Michael Jackson estava associado definitivamente à imagem deste vizinho, daí era difícil ter alguma simpatia por ele.
Mas tão presente quanto esta associacão, está na memória o inevitável fascínio pelo videoclip de Thriller. Da primeira vez que vi, deve ter sido no Fantástico, onde na época se viam vídeos de música, tenho uma lembrança clara de êxtase. A sensação de estar diante de algo completamente novo e radical, uma sensação que correspondia à transformação definitiva da música pop que dali sairia. A recepção de Thriller era proporcional - e inconsciente, e daí mais forte - ao reconhecimento da pontente inversão da relação entre imagem cinematográfica e música que aquele vídeo realizava. Não lembro quantas vezes o revi, ali entre 1982 e 1983, todos nós o fizemos. E gracas a Thriller guardo uma outra memória, esta muito afetiva, desta mesma época. Lela tinha por volta de 2 anos e morava na Pituba. Morria de medo dos monstros que, esfarrapados, abandonavam os túmulos para dançar com Michael Jackson. Primeiro, somente diante das imagens, depois apenas ao ouvir a canção na rádio, Lela saía de onde estivesse conrrendo em direção à mãe, pedindo "Macunjécsu não, mainha, que eu tenho medo!" Nós, adolescentes, ríamos com a sua pronúncia infantil do nome, mas Lela chegava a chorar e trocávamos logo de estação. Às vezes, só funcionava mesmo desligando a rádio, pois ele estava em todas.
Depois disso, Michael Jackson veio me emocionar ao trazer repetidas vezes para a televisão em Viena as imagens do Pelourinho e Olodum. Acho que até hoje esta deve ter sido a única ocasião para isto na TV na Europa Central. Eu lembro que, na época, um VJ da emissora de clips alemães Vivo chegou a comentar: "veja só, eu nunca soube que no Rio de Janeiro tinha estas casas históricas tão bonitas e coloridas."
Acho que temos que escolher uma canção dos Jackson Five para tocar no sábado. Lembro da infância e dos desenhos animados da banda. Homenagem musical.

2 comentários :

Campos disse...

Boa parte desta estória eu já sabia ....

Joniel disse...

Nos anos 70 rolava um desenho animado com pouca frequencia dos Jackson 5 na televisao. Os desenhos psicodélicos a la Sargeant Peppers eram fascinantes. Depois veio o Michael grandão, dançante, groovy, gente boa e de confiança. Aí ele fez um pequeno ajuste no nariz que o deixou muito atraente - qualquer mae o deixaria levar a filha ao cinema. Foi depois daquele acidente no comercial da pepsi que Dr. Jacko começou a mostrar o lado Mr. Hyde. Até a música sempre genial (de herança Motown e uma mãozinha Quincy Jones) ficou estranha entrando numa de auto-justificativa.

Mas confesso que estava curioso por essa nova turnê.

Abraço,

Joniel