domingo, 12 de julho de 2009

M O R R I S S E Y

Imaginem algo muito maior do que o que se espera. Lembrem de um presente que seja o mais emocionante que vocês já receberam.
Quando Christopher comprou os ingressos para o show de Morrissey, que aconteceu ontem aqui em Viena, eu já fiquei alucinado em pensar neste dia de estar no mesmo espaço que Morrissey, ouvindo-o cantar. É a turnê de lançamento de seu disco novo, e como ele já lançou alguns discos nos últimos 20 anos, eu ontem saí de casa e entrei no metrô com a mesma tênue esperança de quando soube dos ingressos comprados de quem sabe escutar uma, talvez duas canções dos Smiths. Pouco mais de uma hora e meia depois, quando o show foi aberto com This charming man, era difícil nao explodir. O gasômetro lotado explodiu junto.
Sim, ele tocou as músicas do disco novo, mas intercaladas de canções de outros discos e nada mais nada menos do que, além de This charming man, as seguintes canções dos Smiths:
How soon is now?
Why don't you find out for yourself?
Some girls are bigger than others
Please let me get what I want this time
Girlfriend in a coma
Ask
Era como um sonho ouvir Ask ao vivo, arrepiado em Please, please, please..., delirante.
Morrissey tirou a camisa e jogou para a platéia, composta para minha surpresa de muita gente com idade por volta de 30 anos. Engraçado foi ver muitas pessoas com camiseta do cantor ou dos Smiths. Era o primeiro show dele em Viena!
A banda é excelente, Alessandro ia pirar com a bateria (que incluía um gongo imenso chinês), o baixista fez dois solos alucinados e Doll and the Kinks, a banda que abriu britanicamente às 20 horas em ponto, era algo como se as músicas de Echo and the bunnymen e Siouxsie fossem cantadas por Cindy Louper, (a cantora tinha inclusive o mesmo chapéu coco), muito boa.
Pensem numa noite inesquecível....
Quem souber o email de Normando que faça este post chegar até ele!

7 comentários :

Griselda disse...

Bom dia queridinho!

Sempre é muito bom realizar o sonho de ver quem alguém que tanto adimiramos!!! Hoje acordei pensando em você e que poderia estar por aí ouvindo todos os seus comentários do show e muitos mais. Entre no meu facebook que coloquei algumas fotos. muitos beijos. Maga.

Alessandro disse...

Porra velho....me emocionei...Deve ter sido um daqueles dias pra gente guardar pra lembrar quando ficarmos pra baixo!!!!!
Valeu!!!!!!
Você não foi lá....e...eu sou vc lá na Bahia...canto tudo com a Cyria....hehehehehehehehe

Ataide disse...

As vezes me pego pensando se esses momentos deveriam se repetir ou serem únicos. Talvez tanta alegria e angustia contida nesses instantes deveriam chegar em doses homeopáticas. Estou realmente emocionado... This Charming Man ao vivo e a cores abrindo um show, sem comentários... Peguei a guitarra e deslizei os dedos nos maravilhosos acordes dessa musica.
Preciso ver isso urgente.

Um abraço Marcos

M.R. disse...

Ô inveja... :) Morrisey continua lançando bons discos. Foi um dos poucos que não ficou vivendo do passado (e que passado. Abç.

normando.neto disse...

Oi, Márcio... Bela surpresa...
Caramba, This Charming Man logo de cara, é realmente de pirar...
Voltei a tocar. Infelizmente não consegui colocar nada dos Smiths no repertório ainda...
Grande abraço. Bom ter notícias suas...
Wish I was there...

Gilberto Filho disse...

Já tô até vendo vc sorrindo feito menino diante da bomboniere.. rs rs
A juventude é a filha porra louca do tempo. "...tá nem aí..."
Tô feliz por vc!
Volte mais jovem!

Marcos disse...

Lembrei muito de abril de 2006:

"19.45 h, sol brilhando.Mas dentro da caixa que se chama Heineken Music Hall muito pouca luz.Ingressos esgotados. Apesar das (em teoria) 2500 pessoas, espaço de sobra.Então, as chateações de sempre: guardar o casaco de inverno, que as temperaturas ainda estão abaixo de 10, comprar as fichas para as cervejas, que os bares do local não aceitam dinheiro. Mas fumar é permitido, inclusive grass. Lembre-se: é Amsterdam.20.00 h em ponto e entra The boyfriends, com um som dismorfe e desnecessário. Um frontman tentando parecer com Morrissey, inclusive na voz, o que resulta num desastre, é claro. Tempo para a primeira cerveja e para admirar o público, na sua quase totalidade branco, endinheirado (os ingressos custaram 43 euros...) e entre 35 e 50 anos, com algumas exceções. E europeu, no sentido de diversidade lingüistica (ouvia-se holandês com e sem sotaques, inglês, alemão, francês). "The devil rejectd my soul", pude ler na camiseta de um senhor de uns 50 anos. Dinheiro e idade não devem ser sinônimos de acomodação burguesa.Depois de meia hora de tortura, pausa, luzes acesas, a sala cheia de fumaça. Hora de procurar um local estratégico para o resto da noite, pois hoje retiraram as cadeiras da sala.21.00 h em ponto. Ele está lá de fato, paletó (que sumiu depois do primeiro número) e calça pretos e camisa rosa, que seria mais tarde trocada por uma preta e, no final, por uma branca, tudo no palco mesmo. A voz que traduziu as incertezas, decepções e frustrações de mais de uma geração continua linda e tocante."The venue is full. It must be raining outside"Muito repertório novo (o cd saiu do forno este mês). Mas com a pronúncia britânica perfeita fica fácil seguir as letras, que são ainda o ponto forte do seu trabalho."Close your eyes and think on someone who physically atracts you. And he kisses you"Melancolia gay, se é que se pode falar de sexualidade de sentimentos.O público delira, mas à maneira holandesa, contida. Quando um grupo mais à frente começa a fazer uma algazarra em coro, ele para e fala: "Let me guess; british?"Do meio da sala alguém grita: "You fucking bastard". Ele sorri.A banda é correta e a qualidade do som muito boa. Infelizmente os músicos não foram apresentados."Tchau". Palmas. Ele volta."Last night I dreamt that somebody loved me" Um arrepio corre "up and down on my spine".Ele cala. Agradece. E não volta mais.No primeiro andar, no chamado Postbank Lounge, tempo para mais uma cerveja, para digerir o que foi visto e ouvido, ao som de Cure e Smiths, com uma pista de dança vazia, mas com muita gente ao redor das mesas altas e do bar.He's alive and kicking. No doubt."

Marcos Costa