quarta-feira, 18 de novembro de 2009

mulheres de saia comprida

Assisti a O Anticristo, de Lars von Trier, no fim de semana e este foi o primeiro filme do diretor de que não gostei. Fiquei pensando que pela primeira vez as acusacoes feitas a um diretor quando da estréia tinham uma razão de ser. A maior mensagem do filme - sim, o filme é de mensagem, o que já é estranho, para não dizer cafona - é que em caso de teres que decidir entre um psiquiatra e um terapeuta, não vaciles, prefere aquele que receita remédios. Além de mensagem, o filme é cheio de simbolismos..... outro problema...
As cenas de violência são gratuitas (muito distinto de Tarantino) e alguns cortes, a raposa falando, os sustos, a floresta, e o mistério (aqui muito visual ou muito explicado demais) sugerem uma influência de Lynch. Cheia de ansiedade.
A abertura do filme, construída com o mesmo recurso narrativo da abertura de Up, o desenho animado, é uma maravilhosa ode ao video clip, apresentando o tema da água em uma estética que atualiza para o mundo digital os clássicos preto e branco dos anos 90, à maneira dos videos dos Pet Shop Boys ou Madonna (às vezes alguns contrastes e a iluminação adquirem um tom entre nostálgico e demodê).
A paisagem natural é muito próxima à de Traunstein, no bosque da cidade. E isso é tudo.
Entre todas as mulheres que sobem a colina, nenhuma teria problema na Uniban. Esta é uma imagem importante para o filme. Não há ninguém de minissaia, nenhuma mulata assanhada, ninguém com uma roupa colada definindo curvas robustas. Ficou difícil aceitar aquele coletivo vestido de crente como "as mulheres". Era isso.

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