quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

barbearia em Viena

anteontem fui cortar o cabelo, na barbearia do turco onde sempre corto o cabelo aqui em Viena. Como ja escrevi aqui antes, barbearia em Viena só se for de turcos. Algumas portas antes, uma nova barbearia, mais moderna, com cadeiras e iluminacao novas, parecia anunciar o pouco movimento que encontrei em seguida. O turco terminava o servico de um cliente, turco, como a esmagadora maioria de sua clientela, e eu era o proximo. Durante todo o tempo em que estive na cadeira cortando o cabelo, nao chegou nenhum outro cliente. O servico como sempre completo, com direito a isqueiro para queimar os fios de cabelos indesejaveis na orelha. Mas depois do corte, como nao havia ninguem, ele me convidou para tomar um cha e veio com a ladainha religiosa de sempre. Este homem está obcedado por religiao e acredita, como toda esta gente sem formacao destes países islamicos, que a religiao deles e superior a dos outros. Como ele tinha tempo, desta vez ate desenhou um diagrama para explicar estas idéias. Fui paciente como nunca. O alemao dele é tao ruim, que nem dá para ter qualquer discussao, ainda mais sobre religiao.
Poderia ter dito a ele que li no Natal o livro de Henryk M. Broder, Kritik der reinen Toleranz (Crítica da tolerância pura), onde o autor descreve como a Europa - e por tabela a civilizacao ocidental - vai se entregando atraves da tolerância ao poder do islamismo. É um livro interessante, mas que seria muito melhor se Diogo Mainardi o tivesse escrito, por razoes estilísticas. O argumento final do livro é exatamente o que eu sempre disse e denfendi, só que nao contra os islamistas, senao contra os evangélicos (e por isso o livro, lido a partir da perspectiva brasileira, nao se sustenta tanto contra o islamismo, pois o mesmo problema no Brasil é com os autoproclamados "cristaos"): toda essa gente que se utiliza de argumentos ditos divinos para regular a vida entre as pessoas deveria viver sem energia elétrica, aviao, celular, televisao, computador, e, para mim o mais importante, sem vacinas. E isto também já comentei aqui.
No fundo, quanto mais penso nisso, mais acho que esta é uma questao de base essencialmente marxista: os turcos na Alemanha e na Austria ou as empregadas domesticas e porteiros no Brasil sao os pobres sem educacao (vindos da Anatólia ou do sertao nordestino), sem emprego, sem perspectiva. O discurso religioso que eles repetem é o triunfo da sua manipulacao: Ahmadinejad é o grande símbolo disso tudo: no poder (apenas simbolicamente) e com a aparência de um taxista, vomitando ódio e intolerância para todos os lados. O problema é que somente a base é marxista. O discurso na cabeca dessa gente é que é difícil de desmontar. Ontem na TV alema foi exibida uma longa reportagem sobre uma mulher no Afeganistao que luta em defesa dos direitos das mulheres contra os talibans. Ela nunca dorme no mesmo lugar duas noites seguidas, assassinaram o marido dela. Ontem a tarde, no transporte público em um bairro menos classe média aqui em Viena, vi várias turcas com o famigerado véu na cabeca.
Isso aqui é política aberta, guiada para o pior caminho possível. No Brasil é política de um só lado: nossa tolerância é maior nao por generosidade ou compaixao, senao por displicência. Do jeito que a coisa vai, antes da sharia ser implantada na Inglaterra, o Brasil já vai ter deixado de ser um país laico.

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