quarta-feira, 28 de julho de 2010

de bicicleta pela áustria

Depois de três longas viagens de bicicleta pela França - cada uma com um percurso ao redor de 1.200 km - e de uma pequena viagem de três dias em bicicleta e um dia em barco e trem no ano passado pelo Tirol do Sul, já era tempo de viajar pela Áustria de bicicleta. Encerrada há uma semana, foram 300 km em cinco dias, começando na cidade de Spittal an der Drau, descendo o vale do rio Drau até Lavamünd, daí subindo o vale do rio Lavant e atravessando para o vale do rio Mur pelo passe de Obdach (quase mil metros de altitude), e subindo o vale do Mur até Scheifling. Até Spittal an der Drau fomos de trem, em um dia super quente, com o ar condicionado sem funcionar direito (isso foi moda este verao por aqui). E de trem concluímos a viagem até Viena, partindo de um lugar perto e um tanto maior que Scheifling, Unzmarkt. Sim, já ia me esquecendo, devido aos estragos do temporal que havia caído uma semana antes, tivemos que fazer o trecho de cerca de 15km entre Wolfsberg e Wiesenau em trem. Mas esta foi a única interrupção.
A infra-estrutura em termos de estradas para bicicletas, sinalização, lojas pelas cidades é às vezes até melhor que na França, não há do que se queixar. A paisagem é muito cuidada: diferente da França, na Áustria é possível ir em bicicleta sem estar confrontado com as estradas federais boa parte do tempo: os caminhos nos vales do Mur e do Drau são cuidadosamente articulados para deixar o ciclista perto da natureza (como também foi o caso no Tirol do Sul); o único senão é que às vezes, às margens dos rios, isso pode vir a ser um tanto monótono.
Não tomamos chuva, fez calor muitas vezes, mas nada exagerado. Muito legal conhecer melhor dois estados do país, que já tinha visitado de automóvel há muito tempo atrás. De bicicleta é sempre diferente. Pontos altos: a ponte para trens sobre o Jauntal, a mais alta do mundo, 96 metros acima do leito do rio, o museu projetado pelo querkraft em Neuhaus, o mosteiro benedetino de St. Paul e as obras ali expostas, Murau e o rei Lear em inglês na companhia de Michaela, Philip e Lorenz, as montanhas todas, um certo charme de Obdach, a simpatia dos outros ciclistas, quase sempre turistas alemães (viajando de bicicleta as pessoas se cumprimentam e conversam!), sorvete em Judenburg, com sua torre monumental, a vista desde Völkermarkt sobre o vale do Drau. E a tranquilidade de estar em território onde se fala a língua do lugar.
Minha bicicleta da Alemanha ainda está aqui em Viena, a daqui por sua vez já deu o que tinha que dar (bicicleta urbana, comprada de segunda mão e barata, como tem que ser).
As fotos da viagem vou publicar nos próximos dias no álbum do flickr http://www.flickr.com/photos/mcorreiacampos/sets/72157624478859411/
Ano que vem tem mais.

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