quarta-feira, 13 de outubro de 2010

fraternidade, igualdade e liberdade

Diferente de muitas opinioes que tenho lido de jornalistas e escutado de amigos, acho que o aborto sim é um tema importantíssimo para ser tratado em eleiçoes, efetivamente por ser um tema que trata de como a sociedade entende questoes de sua vida em comum. E a descriminalização do aborto pôde vir a ser um tema de eleiçoes no Brasil graças exatamente à estabilidade financeira e crescimento econômico dos últimos 16 anos: pela primeira vez não se trata de inflação ou miséria, temos tempo e ar para falar de outras coisas. Isso já seria um avanço.
Avanço este completamente aniquilado pelas forças políticas de maior peso no país, que se entregam sem nenhum pudor às associaçoes mais conservadoras e reacionárias (cuja finalidade única é a autoperpetuação como estrutura de poder sobre as massas) em troca de garantia de votos. Desta vez nem o PV segurou a bandeira de uma sociedade mais livre, igualitária, respeitosa das individualidades. O cenário político organizado é definitivamente o pior possível.
Até hoje o foco central estava na supressão da liberdade da mulher em decidir sobre uma gravidez. Os partidos fazem neste exato momento a opção - escolhem mesmo - pela morte de centenas de cidadãs que fazem aborto clandestino no país. A hipocrisia é mesmo o fio de condução da moral de quem pratica o mensalão. Erenice deve ser a santa parideira de filhos tão pródigos.
Mas hoje, para não deixar dúvidas do medo que esta gente está de deixar de mamar no poder, a monstruosidade não vacilou em demonstrar que não tem limites para sua ganância de poder. Tudo bem que Freud e os filósofos mais contemporâneos venham a explicar uma ação de tamanha repressão à maioria do eleitorado (as mulheres) como forma de garantir votos, mas aproveitar a chance e atacar os homossexuais, avisando-os mais uma vez que sob mais um governo do PT eles continuarão como cidadãos de segunda classe, é algo claramente vil: 10% da população, desde sempre descriminada, é muito menos do que os mais de 50% de mulheres. Mas será que eles fazem a conta assim: "se fazemos algo tao em contra as mulheres contando que elas votem no nosso partido, entao talvez se fizermos algo parecido com os gays, eles também irao votar em nós" ?
Pode ser que eles pensem desta maneira, não duvido nada, afinal a Sra. Dilma se orgulha da monstruosidade que é o Minha Casa, Minha vida (lá dela). Mas tenho certeza também que neste caso, os gays não se comportarão de acordo com o esquema que eles imaginam para as mulheres. A reação já começou.
E isto não é para mim nenhuma surpresa: o que está nos jornais de hoje, do pacto de Dilma com as forças obscuras do medo, é o mesmo PT de ao menos desde 1998, um partido declaradamente contra os direitos LGBT: naquela ocasião, Lula afirmou publicamente que, para nao perder os votos dos católicos, ele jamais iria deixar ser aprovado o projeto de parceira civil de Marta Suplicy, que está lá até hoje, caduco, inútil.
E digo mais: já é hora de vermos que não dá para perpetuar as políticas de desigualdade implantadas pelo PT: está na hora de todas as crianças, pobres, não tão pobres, médias médias ou não, terem direito igual ao bolsa-família, como é o caso dos países da Europa onde tais auxílios à infância são tradição: todas as crianças recebem o mesmo valor, para algumas famílias isso representa muito e ajuda, para outras nem tanto, mas as crianças, os cidadãos, permanecem iguais perante o Estado. Mas este é o governo que instaurou por lei diferenças raciais entre os brasileiros. Sim, eu sei que eles vão contraargumentar que é para o bem. Eu sei que isso não funciona.
Mas o dia de hoje é o coroamento final do acelerado processo de norte-americanização da sociedade brasileira conduzida pelo PT. Claro que eles só estão transferindo aquilo que os EUA tem de pior, as coisas boas nem sonhar. O dia de hoje completa o cenário: em seu acordo com os fundamentalistas religiosos, Dilma é a versão tupiniqui de Bush.
Vamos interromper este processo, pela saúde social do país, pelo respeito e pela igualdade de direitos.

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