sexta-feira, 26 de novembro de 2010

arquitetura e urbanismo, parte 03

A favela como a conhecemos hoje é um dos melhores exemplos, se não o melhor, do capitalismo tornado espaço: ali onde o Estado nada regula, onde o Estado surge depois para cobrar impostos e taxas de serviços, apenas para oficializar a ausência do Estado, o espaço disponível é completamente privatizado (usado para habitação unifamiliar - mesmo que esta família cresça e a casa se divida entre os seus membros, permanece a noção de unifamiliar - , que vem a ser o que há de mais privado, ou para comércio) e o que é de uso comum é somente o mínimo destinado à circulação física de pessoas.
No espaço sem lei, prevalece a lei que transforma todo o espaço em mercado, não há vazio para jardim, não há vazio para praça, não há chance nem para o mínimo contato com o exterior, aquilo que se situa já fora dos limites do que é estritamente privado: janela é luxo!
Favela como espaço é expressão do capitalismo livre de qualquer noção do outro como respeitável, é o tornar realidade espacial do vazio completo das noçoes regulatórias da sociedade, do coletivo, do que é comum, que em termos espaciais tradicionalmente se chamam urbanismo. Favela é o modelo ideal para quem vive de especulação imobiliária oficializada. Favela é a expressão máxima do individualismo ferrenho, que por sua vez é a noção mais sintética que define a sociedade brasileira.
Por isso, diante dos acontecimentos nos últimos dias no Rio de Janeiro:
Vento, luz e árovre, favela, não!
Wind, Licht und Baum, kein Favela!
To be continued.

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