terça-feira, 23 de novembro de 2010

a morte de JCC, o menino que morava na propaganda do governo da bahia

Os arrastoes no Rio, o assassinato bárbaro das duas adolescentes em Salvador e as circunstâncias da morte do menino Joel da Conceição Castro parecem mostrar como a vida real do Brasil estava reprimida nos últimos três meses por causa das eleiçoes e que agora a sociedade brasileira volta ao seu normal.
Na Bahia, onde os gastos com publicidade nos últimos quatro anos foram tão absurdos que fizeram o governo anterior, de ACM, parecer tímido em matéria de auto-promoção, o governo estadual, como todos sabemos, nao deixou dia algum desprovido de comercial no horário nobre da TV, mesmo em um período de vários meses durante o qual crianças, adolescentes e adultos morriam de meningite em Salvador sem ter acesso a vacina.
O menino Joel, que ontem morreu atingido por balas disparadas de um revólver pertencente ao Estado da Bahia e nao foi socorrido por servidores do Estado da Bahia, havia sido usado para a propaganda do governo da Bahia, para mostrar aquela Bahia fictícia onde todo mundo quer morar: http://www.youtube.com/watch?v=65DK7Jqo7HM&feature=player_embedded
A diferença para a morte de Daniela Perez, onde ficção e realidade pareciam se confundir em um dos assassinatos mais famosos do Brasil, é que a novela é ficção pura enquanto que o governo da Bahia vem tentando tratar a vida das pessoas como ficção ao fazer a população crer que aquelas panorâmicas de helicóptero são o seu cotidiano (quantos baianos além de políticos já fizeram um vôo de helicóptero?): não adianta pôr o menino em um comercialzinho mentiroso a serviço da perpetuação do status quo político, porque a vida real, aquela que só não vale para os políticos - e por isso foi tão bom saber que, numa fantástica exceção, o prédio onde mora o presidente da república foi assaltado -, a vida real vem e toma o menino para baixo da terra. Da ficção publicitária para a morte, este é o curto circuito da realidade social, senhores políticos. O horror é saber que os próximos quatro anos ainda nem começaram. E que os gastos com publicidade só devem aumentar.

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