domingo, 14 de novembro de 2010

o video dos jovenzinhos ou geração milenio

Esta semana recebi via twitter e facebook, por inidicação de diferentes contatos, o link para um vídeo feito por uma empresa de pesquisa e propaganda sobre o perfil da geração milênio, ou globalizada, aquela cuja socialização já aconteceu via internet. O título é we all want to be young.
Super bem editado, com recursos gráficos interessantes (de acordo com a última moda) e imagens bem sedutoras (não seria diferente) ao jeito de um video clip norte-americano dos anos 90. A teoria porém é um tanto estranha: segundo o vídeo, depois da segunda guerra mundial, há uma mudança no mundo com as primeiras geraçoes de jovens que determinaram os rumos da humanidade: a geração do baby boom (nascidos no pós-guerra), a geração X e a nova, a do milênio, de poder aquisitivo maior à medida da passagem do tempo.
Diferenças comportamentais são apresentadas e de alguma maneira é celebrada positivamente uma suposta globalização de comportamentos via conexão total de informaçoes.
No fundo, é mais uma daquelas explicaçoes de movimentos sociais da parte rica do mundo, dos quais as classes altas e médias do resto do mundo de alguma maneira fazem parte, pecando sempre pela generalização.
Mas o que é chato é a inclusão de uma "perspectiva histórica" fortemente achatada, quebrada por espelhos, rasa, ou seja, quase plana.
Dois exemplos seriam suficientes para mostrar a fraqueza da hipótese do vídeo: os poetas românticos que morreram aos 25 anos de idade e a juventude hitlerista, motor fundamental para a ascensão e manutenção no poder do monstro nazista. E tantos outros desde finais do século XVIII. Faz muito mais tempo que os jovens dão o tom.
Mas além disso minha experiência indica outra coisa: como professor pertencente à geração X, me sinto ao menos tão conectado às redes como meus estudantes geração milênio. Sim, porque a questão do vídeo é a tecnologia de informação e o acesso a ela (e mesmo na geração do baby boom a tecnologia já seria a questão determinante), e é óbvio que os jovens tenham uma vantagem de saída (que é uma vantagem essencialmente de linguagem, e por isso de comunicação). Mas o fato de todos nós querermos ser jovens não tem a ver com isso. E além disso nem todos querem ser jovens. Ando alérgico a qualquer noção de "todos", é isso.

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