sábado, 11 de dezembro de 2010

De Vargas Llosa para a Bahia e todas as outras províncias (um recado meu)

Reclamei muito nas últimas horas da ausência completa de notícias sobre a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura a Vargas Llosa na imprensa brasileira e na internacional como um todo - entre os periódicos que leio o El País é a única e grande exceção.
O noticiário se debruçou sobre a cadeira vazia do chinês que ganhou o Nobel da Paz, numa clara defesa dos EUA, e por tabela contra Wikileaks e Assange. Triste, com isso eles poem em jogo a liberdade de imprensa mais importante, que é a própria, em nome de um jogo econômico entre EUA e China. Vargas Llosa defendeu ontem mais uma vez uma sociedade liberal, aquela onde a diplomacia suja e toda forma de ditadura são evidentemente atacadas. Mais uma vez, em sua posição crítica contundente, ele estava ali desagradando uns e outros.
Seu discurso de recebimento do prêmio (disponível na íntegra em http://e.elcomercio.pe/66/doc/0/0/2/5/8/258534.pdf ) é muito próximo à sua introdução do livro El viaje a la ficcion, um ensaio crítico sobre a literatura de Onetti, onde Vargas Llosa defende a função de transformação social da ficção. É uma ampliação das consideraçoes feitas a partir da obra de Onetti para os campos da sua vida pessoal, da obra de outros autores e da política enquanto existência no mundo.
Se o presidente do Brasil tivesse um pouco de humildade, alguma ambição intelectual e generosidade, ele teria muito a aprender com o discurso proferido pelo grande autor peruano ontem em Estocolmo. Os baianos também, mas não me iludo: eu já imagino que poucas pessoas aqui no Fim do Mundo irão ler este discurso. Mas a Bahia bem que precisava, e muito, refletir sobre este texto. A Bahia das três letrinhas e a Bahia do tem tem tem; a Bahia do Axé e do Pagode; a Bahia dos afro-descendentes e a Bahia branca; a Bahia do Shopping Salvador e da Feira de Sao Joaquim; a Bahia de Sauípe e Praia do Forte e a Bahia da Fazenda Grande do Retiro.
Como o Fim do Mundo é mesmo meio preguiçoso, fica aqui uma pequena mostra do que Vargas Llosa disse ontem:
"Detesto toda forma de nacionalismo, ideología - o, más bien, religion - provinciana, de corto vuelo, excluyente, que recorta el horizonte intelectual y disimula en su seno prejuicios étnicos y racistas, pues convierte en valor supremo, en privilegio moral y ontológico, la circunstancia fortuita del lugar de nacimiento."
Daqui do Fim do Mundo, te saúdo uma vez mais.

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