terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fluminense

Algumas pessoas já me ouviram contar esta história: há algum tempo atrás Carol T. me perguntou se eu torcia pelo Bahia ou pelo Vitória, e eu lhe respondi que torcia pelo Bahia da mesma maneira que falava a língua portuguesa, ou seja, sem escolha, anterior a qualquer condição de autonomia intelectual. Meu pai era torcedor sócio do Bahia: meu primeiro banho de mar foi ali, na Boca do Rio (não se preocupem, à época de que falo a praia não era poluída), e temos fotos deste dia, e os primeiros bailes de carnaval a que fui foram ali também na sede de praia do clube.
Meu pai era tricolor, também por definição do adversário: é assim que se aqui na Bahia ele era contra o rubro-negro, no Rio ele era logicamente Fluminense, ou seja contra o rubro-negro local (me diverti muito hoje com um colega que sequer diz o nome do rubro-negro que acaba de cair para a 2a divisão, tendo se referido "àquele outro time"). Hoje talvez existam pessoas que sejam só Bahia, mas naqueles tempos todo mundo torcia também para um time do Rio. Por isso meu pai enviava telegramas de felicitaçoes às Laranjeiras a cada conquista de título do Fluminense.
Nem é preciso dizer que no futebol de botão tive dois times: o Bahia e o Fluminense. Mas como mais da metade dos vizinhos também tinha um time do botão do Bahia, o meu sempre era o Fluminense.
Ter acompanhado o Fluzão mais de perto nos últimos meses - desde a virada dos guerreiros contra o rebaixamento - foi um grande prazer. E foi um jeito renovado de lembrar de meu pai.

Nenhum comentário :