sábado, 22 de janeiro de 2011

bjarke ingels (o Mr. BIG) em munique, 20 de janeiro de 2011

Foi Diego, super fã, que me chamou a atenção para a data do evento, um dia antes da longa noite de arquitetura em Munique; escrevi para Gabriela, que está fazendo intercâmbio na TUM, e marquei para nos encontrarmos antes para um café, e graças a ela cheguei na hora certa (havia confundido com o horário da abertura da exposição, às 20:00). Antes de ir à TUM, passei na livraria da Architekturgalerie e comprei o livro de Bjarke, yes is more.
Chegamos alguns minutos antes da hora marcada, às 18:30, o Audi Max que logo depois viria a lotar recebia cada espectador com um pequeno envelope fixado na mesa à sua frente: dentro, um comercial em forma de pequeno libreto na mesma linguagem e artefinal de yes is more da empresa de tintas patrocinadora do evento.
Após a apresentação um tanto deslumbrada, um tanto insegura feita pela decana da faculdade de arquitetura, Bjarke Ingels começou sua apresentação em inglês visivelmente nervoso, quase gaguejando diante da numerosa platéia (poucos estudantes de arquitetura da TUM devem ter faltado ao evento), mas somente para depois de quinze minutos demonstrar a segurança do mais novo superstar da arquitetura, que fecha contratos com os políticos poderosos mundo afora. Aos 37 anos.
A imagem de abertura não poderia ser outra que não a de uma animação sobre o reaproveitamento dos recursos naturais feita com os já legendários ícones a la apple que se tornaram uma marca da arquitetura-BIG e que puxou o conhecido mote de que a sustentabilidade não precisa ser sofrida e sim tem que dar prazer.
Com um talento de comunicação inquestionável - inclusive por ser capaz de prender a platéia com uma palestra que ele já deve ter repetido algumas vezes - Bjarke foi comentando seus projetos realizados mais conhecidos (entre eles pavilhão dinamarquês na exposição de Pequim, the mountain, infinity loop) e outros ainda em desenvolvimento (o scala tower, um museu para a capital do cazaquistão, the housing bridge, edifício de apartamentos para o river front em Nova Iorque etc), alternando excelentes animaçoes com fotomontagens de qualidade não menor. Destaque para as 97 maquetes de ideias distintas para a realização do projeto da scala tower e para a pista de esqui proposta como teto da usina de energia no porto de Copenhague.
Em alguns momentos a simplicidade e o frescor com que os projetos foram apresentados faziam lembrar um estudante diante de professores apresentando um TFG, mas ainda assim prevalecia os novos ares da arquitetura internacional que parecem tão distantes da universidade e da produção de arquitetura brasileiras: a obra do BIG, apresentada em conjunto e com tanta vivacidade, é um novo vigor em grande escala do rejuvenescimento trazido pelo MvRdV há mais de quinze anos, apimentado com estratégias de big player aprendidas no OMA.
Os projetos foram apresentados em todo o seu processo de concepção, com base em uma experimentação livre, contínua e investigadora, ainda que os critérios de seleção das ideias não tenham sido explicitados com a mesma clareza (Darwin aparece na palestra e no livro como uma referência).
Em algum momento ficou claro que uma parte significativa do sucesso de Bjarke Ingels está no seu talento como homem de negócios, muito além da arquitetura e muito independente dela. Tenho a impressão que se ele estivesse na informática, estaria concorrendo com facebook e google, ou seria um dos donos destas empresas. Ao mesmo tempo, não pude deixar de fazer um paralelo com o sucesso comercial de Sidney Quintella: mais uma vez para verificar o quanto os contextos culturais, a modalidade de ação dos construtores, cultura dos usuários e distintas formaçoes acadêmicas acompanham compreensoes distintas da arquitetura. Os resultados estão aí para comprovar esta tese.
Aqui e ali uma pequena pitada de arrogância, mas nada demais, normal até para quem tão jovem já construiu tanto e tem tanto sucesso. E no fundo havia o lado positivo de não ser uma típica palestra onde arquitetos falam mais do que não construiram, normalmente num tom melancólico-negativista.
Super aplaudido no final, Bjarke e a universidade convidaram para a abertura da exposição em seguida, na pequena Architekturgalerie, para onde todos os presentes foram curtir a cerveja de graça no pátio, sob forte nevada. A exposição, é óbvio, não dava para ser vista nestas condiçoes. Voltar para ver com calma.

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