domingo, 9 de janeiro de 2011

pausa sobre salvador

Nesta semana que passou as críticas ao prefeito e à cidade de Salvador têm se multiplicado: Michele, in-digna-díssima, pôs a boca no trombone e Fábio indicou um blog chamado Salvador Caótica, com um texto muito bom sobre a cidade, ambos no twitter. Assino em baixo de tudo o que Michele falou, com toda a razão, e não é possível discordar do texto do Salvador Caótica. Mas por mais que eu não veja razão prática para outra coisa senão a crítica, minha empolgação se manteve contida.
Nestes primeiros dias do ano a imprensa oficial - a financiada através de propaganda pelo governo estadual - destacou com um vigor fora do comum a desaprovação das contas da prefeitura e os protestos dos "estudantes organizados" contra o aumento da passagem de ônibus. Dá para não ser contra a atual prefeitura?
Difícil. Mas desde que o governo do estado através de seu órgão que cuida dos recursos hídricos tentou atrapalhar a obra de tapamento do rio no Imbuí pouco tempo depois de ter aprovado sem restriçoes a obra de tapamento do rio da Avenida Centenário - estando entre os dois tapamentos, o "grande evento político" do rompimento da aliança entre o grupo que está à frente do estado da bahia e o grupo que está a frente da prefeitura - percebi que estávamos à porta de uma situação velha conhecida na cidade.
Tal clima estava presente na entrevista da atual presidente do país quando, em visita a Salvador para o início das obras dos viadutos e avenidas que partindo da rótula do abacaxi chegam ao porto destruindo e enfeiando mais a cidade, ela afirmou que para esta obra ela garantia que não faltaria recursos, em uma clara referência ao metrô, obra na qual a prefeitura está envolvida.
No dia 22 de dezembro passado, há pouco mais de duas semanas, presenciei no Rio Vermelho às 21:30 o roubo de um automóvel: rua cheia de gente, muitos carros estacionados, e os ladroes tiveram toda a calma para diante de umas 20 pessoas tomar a chave da mão da dona do carro, entrar, ligar o carro e sair. Nenhum policial ao redor, até Ondina, direção que tomamos depois de deixar imediatamente o Rio Vermelho.
Estou seguro que tudo isso não vai mudar até o dia das eleiçoes para prefeito, ao contrário, só deve piorar. A história ensina: assim o fez ACM com Lídice, quando ela era prefeita. Quem vive em Salvador hoje percebe há muito tempo o que está acontecendo de novo.
Por isso cada crítica hoje tem o potencial de ajudar quem estrangula a cidade. Quem foi aliado durante anos do atual prefeito e antes não via problema algum em sua gestão. Até achou lindo o tapamento do rio da Centenário.
Tenho um pequeno trabalho acadêmico sobre Salvador para publicar e queria ainda escrever aqui uma pequena comparação dos preços dos transportes públicos. Mas estou me decidindo a não tecer mais nenhum comentário crítico sobre a cidade até o dia da eleição para prefeito.

3 comentários :

AL disse...

Prezado amigo, então aproveitando a sua deixa com seu criterioso e ensurdecedor silêncio... pelo menos para nós que precisamos sempre de um "boca do inferno" bem afinado nos alimentando... gostaria só de acrescentar que as calçadas da orla de placaford/itapoã estão sendo todas concretadas, retiradas as pedras portuguesas... e com mãos e pezinhos de transeuntes afundadas no concreto. Só pra lembrar um ótimo texto seu sobre a Barra e suas calçadas. Abração, André.

drmukti disse...

André, outro dia tive uma pôlemica no facebook por conta desta "obra" em itapoã, pois uma estudante a defendia.... e o texto sobre as calçadas da barra repareceu na conversa. Estas maos e pezinhos afundados no concreto sao ideais para o mosquito da dengue, aí o programa se completa! Obrigado pelo comentário, e um forte abraço, Márcio.

Salvador Caótica disse...

Não gostaria de vê-lo calar. Os conchavos políticos, ou o fracasso deles, não podem ser motivo para calar a crítica. Se a prefeitura sofre com isso que venha a público e se manifeste. Ou alguma oposição, se é que ainda temos oposição neste País.