terça-feira, 22 de março de 2011

Do osso do inverno

Começou a chover em Salvador e fui ver O Inverno da Alma (Winter's bone), e nada poderia ser mais preciso para marcar tamanha distância entre as duas situaçoes. O Inverno da Alma - que se passa num inverno de verdade, e não em um outono de 31°C - é um dos filmes mais estadounidenses que já vi. Nao dá para chamar de norte-americano, pois seria muito difícil transpor o que o diretor tem na cabeça para o Canadá ou México.
Há momentos de certa angústia que fazem lembrar A tempestade de gelo, mas dois filmes não poderiam ser mais opostos.
Pense na idéia mais arcaica e rural e branca que você pode ter dos EUA e pense na devastação que as drogas podem fazer neste espaço social. O filme é, entre outras coisas, sobre isso. E lembre da idéia que os americanos têm sobre ser um povo eleito por deus (por quem, mesmo?), capaz de através de sua pureza vencer todos os obstáculos. O filme, se visto daí, assume ares de tragédia grega tomada para si pela nação estadounidense. Aí eu fiquei com medo. Porque o filme teria tudo para ser um excelente filme (fotografia, atores, trilha sonora, até mesmo o roteiro adaptado), mas o classicismo e a redenção ali são verdadeiramente assustadores. O filme pode ser duplamente apavorante.
Como podem ser tão ingênuos os filmes do sertão brasileiro.

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