sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lope de Vega no cinema

Ontem à noite fui assistir ao filme Lope, dirigido por Andrucha Waddington. O filme não é de todo ruim mas os primeiros adjetivos que podem ser usados para a produção que aborda um trecho da juventude do autor espanhol a finais do século XVI são pretensioso (já a cena de abertura com as perspectivas monumentais da marcha dos soldados é prova disso), ultraconvencional (com aquele gostinho de tentar parecer um filme norte-americano / inglês com história exótica no tempo e no espaço) e monocromático (ritmo da narrativa e cores na tela, aquela velha noção de um passado entre cinza e marrom).
O jovem poeta e seus amores, suas inconsequências, a exploração que ele sofre e seu amor pelo teatro: este esquema básico posto em uma ação previsível e controlada. Há um certo momento no filme onde é conseguido algo de tensão para o expectador, mas para logo cair no que se espera de um filme destes. O cenário da viela onde mora o poeta é sofrivelmente artificial - não adiantou ter posto tanto lixo no chão -, as pessoas são invariavelmente muito sujas, as cenas de sexo são supérfulas e não há como explicar o que faz Selton Melo no elenco de atores cuja língua materna é o espanhol, já que ele não consegue superar o seu forte sotaque brasileiro: existem n atores na Espanha que poderiam ter feito aquele papel.
O que de fato impressiona no filme é a convencionalidade, a repetição exagerada de padroes cinematográficos mais que batidos. À sensação de dêjà-vu segue-se aquela noção óbvia de que talvez há uns 20 ou 25 anos atrás este seria um filme interessante.
Nao consegui ver grande mérito neste trabalho. Menos ainda que justifique os famosos 1,3 milhão de reais para a produção de filmes para o blog de famosa cantora brasileira.

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