quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poema curto da cidade inchada

Agora que foi democratizada a lentidão para todos
agora que o usuário, o motorista e o cobrador de ônibus
vão ali acompanhados sem pressa pelo motorista e pelo carona
do automóvel particular
cada um dos moradores em salvador
está convidado a observar,
muitos pela primeira vez,
a feiúra de sua arquitetura. E como são feios estes prédios!
Antes era possivel fugir de detalhes sórdidos
ou de estranhas combinaçoes de material, desenho e proporção,
mas agora o engarrafamento amplia o seu incômodo
com esta anti-paisagem.
Aqui termina o poema da cidade inchada,
que como tal não é grande, é só inchada,
e por ser ela objeto de tal poema,
este se faz assim, sem poética, sem métrica, sem rima, sem nada de belo.

2 comentários :

Leandro Santolli disse...

" Sem cor , sem poema, sem rosa, sem nada "

Marina Hormazabal disse...

"E até sem alma, e já sem encanto... Essa é uma cidade entregue ao Deus dará!"

Muito bom o seu poema!!!