segunda-feira, 6 de junho de 2011

em sao paulo, duas exposicoes bem distintas

Aproveitei minha estadia em São Paulo e fui a duas exposicoes: Escher e Leonilson. Mais distintas não poderiam ter sido: Escher é um daqueles artistas que se vêem como instrumento para a arte, para quem a arte lhes é algo superior, Leonilson se via como arte.
Aprendi muito com a excelente exposição de Escher, suas referências no surrealismo, arte abstrata e azulejos do sul de espanha, seu exímio traço desde sempre e sua aproximacao à matemática. Espalhada pelos andares e salas não tão bem conectados do Centro Cultural do Banco do Brasil, e povoada de criancas e adolescentes barulhentos, ainda assim a exposição permitia ter uma excelente visão do conjunto da obra do artista, com destaque para os originais de estudos e as animacoes em vídeo contemporaneas a partir dos motivos de Escher. Altamente emocionante, ao menos para quem é fascinado pela tensão entre abstração e figuração, presentes na obra do artista como em poucas. Inevitável nao pensar no que ele teria feito no mundo da computação gráfica; ou imaginar que ela nao existiria sem ele.
A exposição da obra de Leonilson tinha uma arquitetura primorosa: três andares do Itaú Cultural forrados de compensado claro, incluindo o piso e os móveis, em uma tectônica de exata adequação à obra. Construída como uma autobiografia, a mostra vai revelando o misto de perversoes católicas, um pai dominador, cultura pop (the smiths presentes em duas obras, new wave em várias), cultura popular, parangolés e outras coisas de oiticica, que formam a base para uma obra que pretende ser ao mesmo tempo mínima e pessoal, abertamente devassa nos detalhes não mediados.
Autocomplacência substitui na obra de Leonilson o que a matemática é na obra de Escher. Leonilson é o artista engajado em si mesmo, moderninho antes da hora, purista em um conceitualismo naturalizante da arte. Tão naturalizante que em várias obras você pode procurar ali o artista sem encontrá-lo.
Nao consegui conciliar as duas visitas, talvez sejam mesmo assim irreconciliáveis. E tampouco consegui mantê-las objetivamente equidistantes. Escher me emocinou.

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