quinta-feira, 9 de junho de 2011

referência musical, as vozes

Tenho vontade de escrever mais aqui sobre música, mas sempre que escrevo sobre música tenho a sensação de produzir um texto equivalente a escrever sobre fachada achando que se está escrevendo sobre arquitetura: digo isso porque não sei tocar instrumento algum e nem sei ler partitura. Sinto-me um analfabeto na matéria.
Ainda assim, persiste em drmukti já há algum tempo a vontade de tratar mais de música e conclui que um bom arranque seria falar sobre aquilo que me parece referência de absoluto, ou o que chega perto disso. Começo com as vozes.
São quatro nomes de duas sílabas, e isso não deve ser acaso: Ella, Dori, Zizi e Eddie.
Ella Fitzgerald é definitivamente absoluta: é uma sorte para o mundo ela ter vivido na época da reprodutibilidade técnica. Ella é em termos musicais para o século XX o que Schubert é para o XIX ou Mozart para o XVIII. Exagero? Não acho. Sorte na vida teve quem pôde ir a uma apresentação sua.
Dori Caymmi deveria ter gravado o dobro, o triplo de discos que ele gravou até agora, deveria ter feito dez vezes mais shows cantando. Às vezes chego a crer que ele segue a máxima que eu desde há muito tempo repito: "Se eu tivesse a voz de Dori Caymmi, eu não falava com ninguém!" Nunca estive em um show seu, super falta.
Zizi Possi protagonizou o primeiro show a que assisti, há muito tempo atrás no Teatro Castro Alves (ela era muito jovem, Johnny Alf ao piano e eu encantado para o resto da vida). Não conheço outra palavra para a sua voz que beleza: tão bela que serão para sempre perdoados (e adorados) um vocalise aqui e ali, um arranjo às vezes carregado demais nos baixos e Asa Morena. Voz suprema (sim, caminhos de sol na veia).
E Eddie Vedder. Já na primeira vez que o ouvi sei que esta é a voz masculina mais bonita desde que a palavra rock significa um gênero musical. Não é alcance, nem ritmo, nem interpretação, é o timbre, só dele. Ele pode tanto que até seu corte de cabelo mais comum não importa. Amei suas ukulele songs.
Domingo estarei lá no Castro Alves, já não vejo a hora. Duas sílabas duas vezes, perfeita.

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