quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CAU: um MAU começo

Provavelmente por ser um entusiasta de há muito tempo da saída dos arquitetos do sistema CREA, a minha decepção foi enorme ao receber uma correspondência há algumas semanas atrás com uma senha eletrônica para a votação fundacional, obrigatória, para o CAU, que passará a existir no próximo ano.
Considero inimaginável que alguém em nome de democracia consiga justificar a obrigatoriedade do voto, ainda mais para algo como um Conselho Profissional. Além desta coerciva obrigatoriedade, foi determinada a limitação da votação a um prazo de apenas 20 horas, sem nenhuma justificativa técnica para isso, uma vez que a votação se deu hoje exclusivamente pela internet: porque não oferecer um prazo de 24 horas, ainda mais que as 4 horas que foram retiradas sao exatamente aquelas nas quais as pessoas chegam em casa após o dia de trabalho e ainda nao foram dormir para descansar para o próximo dia, ou seja, AS MAIS IMPORTANTES para uma eleição pela internet. Porque excluir exatamente estas horas?
Pior que isso, a correspondência ainda fazia questão de lembrar, em tom ameaçador, da multa de alto valor para quem não votasse e nao tivesse uma justificativa a ser aceita pelo Conselho. Alguém pode explicar como seria possível tentar reunir colegas de profissão em torno a um novo Conselho Profissional de uma maneira ainda pior?
Pois há: ter uma chapa única para ser votada ou não. A pior maneira de se iniciar algo que se diga democrático é com uma chapa única; o processo de criação do CAU deveria ter incentivado o surgimento de mais de uma chapa, para que a democracia estivesse em sua origem; nos estados onde nao tivessem sido formadas mais de uma chapa, poderia ter havido um prazo maior para que uma disputa, saudável e fundamental para qualquer representação, pudesse ocorrer.
O que e como aconteceu hoje, deixou um peso muito grande no ar. Um começo tão importante deveria ter sido muito diferente. Uma tristeza.

Um comentário :

Gabriel Primeiro disse...

Marcinho, há tempos não venho aqui, mas hoje não pude deixar de ver o que escreveu aqui.
Agora que estou no estado de São Paulo e próximo a, digamos, ativistas políticos, vejo que em um estado com tantos arquitetos como e tão complicado como SP a situação é muito complicada, aqui uma grande quantidade de profissionais nem filiadas ao CREA é, e quando colocamos isso em pauta vemos que se você não coloca uma obrigatoriedade esses arquitetos que não tem nenhuma filiação as associações e aos que muito menos se interessam pela causa, poderíamos perder muito mais.

Em São Paulo, tiveram duas chapas, e observando um pouco mais de perto as duas, vi que uma tinha um time honesto e justo, e a outra estava dando golpes baixos e se garantindo como a vencedora. Esse embate político de chapas pode sim ser muito saudável, mas quando as concorrentes são dignas de fazer o mesmo.