domingo, 6 de novembro de 2011

a pele que habito

Antes de ir ver o filme, li o texto de Caetano na semana passada e o que me pareceu então muito interessante se mostrou óbvio durante o filme. O filme é, em parte, sobre a sociedade brasileira e sua amoraliadade novomundesca, que se abre para a violência continental e para o bolerismo de novela mexicana-venezuelana.
É também, como disse Any, sobre várias interpretaçoes do complexo de édipo; e, acrescento, sobre como memória e espelho - acionados em uma mínima fração de segundo - serão sempre o vilão salvador contra a utopia / o crime / a mentira / a ilusão perfeitos: lembrem que o lubrificante chegou a ser comprado.
O filme é também, naquilo em que seu enredo se apóia na história de Frankenstein, uma homenagem a Michael Jackson e Natascha Kampusch: a pele nova (inversamente à do rei do pop, super resistente) e perolada - em um efeito ótimo de luz e maquiagem - e o cativeiro amplo (inverso ao de Natasha) alimentado de vida pela TV (como a prisão subterrânea vienense). Seria acaso demais o fato de Natasha Kampusch ter se libertado de seu algoz em 2006, o mesmo ano em que o fato desencadeador da trama do filme acontece. Vera é Michael e Natascha reunidos.
Como todo mundo já comentou, Ata-me vem logo à lembrança e, como Christopher já havia comentado, desta vez a trama parece construída demais, eu diria artificiosa mais que artificial (é, alguém irá argumentar que tem a ver com a coisa da cirurgia plástica, mas mesmo assim não convence).
E o que não me convence mesmo é a sanidade mental de Vera; A Marina de Ata-me resolve o seu problema com Antonio Banderas pelo amor, pela paixão; já Vera, é um monstro de sobrevivência e adaptação. Sinal dos tempos?
Ainda não foi com este filme que o diretor retornou à maestria por último vista em Volver. Que venha o próximo.

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