domingo, 16 de junho de 2013

2012: o ano que não acabou

No ano passado, em 2012, as universidades federais se levantaram contra o governo: depois de dois anos de enrolação, o governo insistia em não tratar com seriedade as negociações que deveriam discutir as condições de trabalho extremamente precarizadas pela expansão universitária sem qualidade, a recuperação do salário, defasado pela inflação acumulada, o modelo de financiamento de universidades privadas através do PROUNI, uma nova carreira, alguns dos pontos de uma vasta pauta de reivindicações. Estudantes e técnicos se juntaram aos professores em um movimento extremamente vigoroso; o gelo foi quebrado.
A greve atingiu praticamente 100% das universidades e originou uma onda de greve em várias categorias do funcionalismo público federal. Como todos sabemos, o governo petista sequer negociou com o sindicato dos professores, mantendo-se indiferente à urgência das questões levantadas pelo movimento em todos os setores da universidade.
Na Bahia, vivemos aquele momento de uma perspectiva especial. O governo do estado, também petista, reprimiu violentamente as greves dos policiais e dos professores. Quem acompanhou o movimento na universidade deve lembrar ainda hoje do depoimento de um dos líderes dos professores estaduais em uma assembleia na Reitoria: aquele depoimento, que falava de forte repressão e uso da violência contra os professores, foi um grande incentivo para quem ali esteve continuar a lutar.
Além disso, os professores da UFBA tiveram o seu direito de reunião ameaçados, através de um mandato judicial, que incluía a solicitação de uso da força policial, contra 16 professores que compunham o comando de greve. A truculência, que ia muito além da negação do diálogo, foi sentida na Bahia naquele momento nos dois níveis, federal e estadual.
Em termos nacionais, olhando da perspectiva do que está acontecendo hoje, a greve nas universidades, dirigida contra a política do atual governo, funcionou como uma abertura de vanguarda para a possibilidade de crítica ampla e direta contra um projeto político que se prevê perene por muitos anos à frente do Estado.
As universidades em greve, assim como as escolas no Estado da Bahia, disseminaram esta possibilidade de crítica por muitos lares. Quando a classe média brasileira - a nova e a velha - viu a classe média turca reclamar para si com tanta veemência um parque e suas árvores (eles não estão lutando contra uma ditadura no sentido clássico do termo, como foi o caso dos países da primavera árabe, eles estão em um país aparentemente "democrático" como o nosso), ela percebeu que era chegado o momento de ir às ruas. Os 20 centavos foram somente uma feliz coincidência.

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