terça-feira, 18 de junho de 2013

depois do grande protesto de segunda-feira, dia 17 de junho

Multiplicaram-se hoje os textos de filósofos, sociólogos e afins querendo identificar (o que seria determinar) um foco para o movimento. Eles tentam obviamente fazer com que as pessoas acreditem que os manifestantes estão nas ruas apenas pelas altas tarifas dos transportes públicos. Eles insistem em tentar neutralizar o movimento gerando uma compreensão de que existe um alvo, um foco, um objetivo preciso no movimento.
Como são textos bem escritos, a tentação de acreditar nisso é fácil. Eu queria que um destes filósofos, sociólogos, etc apresentasse uma solução rápida e imediata, e de preferência sem nenhum prejuízo às massas, para as horas intermináveis que as pessoas perdem no trânsito, uma solução tão prática e imediata quanto o efeito que terá uma provável redução das tarifas. Baixar as tarifas hoje (mesmo que o governo para isso venha a abrir mão de parte do financiamento da campanha do ano que vem) é algo fácil de fazer, e se as pessoas acreditarem que o foco é este, entao será mais fácil depois conduzir a população que não está nas ruas contra quem está se manifestando. 
O mote será: as tarifas foram abaixadas, porque estes vândalos não param de demonstrar?
As pessoas estão protestando contra as horas e horas de vida perdidas no engarrafamento, contra a arrogância ditatorial do governo, que insiste em se ver na posição de "condução iluminada das massas ignorantes e famintas por bens de consumo", contra um mal-estar imenso de viver em cidades como Salvador ou São Paulo, com medo, sem opção de lazer, sem área verde, sem escolas públicas que prestem, sem tranquilidade para se ter um cotidiano simples. 
Não tem foco, porque as necessidades e os desconfortos, reprimidos através do efeito moralista e anestesiante conseguido com a chantagem social elaborada a partir das frágeis satisfações materialistas para os mais pobres, são muitas e imensas e variadas. É preciso que reafirmemos todo o tempo esta multiplicidade das reivindicações, é preciso dar vazão a tudo que até agora foi reprimido em nome de um assistencialismo frágil, incapaz de resistir a 20 centavos. Porque não é disso que estamos falando!

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