terça-feira, 20 de agosto de 2013

De bicicleta por Viena, 01: no Prater



Um parque urbano imenso – que até o século XVIII era região de caça do Imperador – cortado longitudinalmente por um eixo de 4,5km de extensão, sua grande alameda: o Prater, entre o Centro da Cidade e o Danúbio, é um dos espaços mais interessantes de Viena. Ainda que o nome esteja ligado ao Parque de Diversões que ocupa uma de suas extremidades e sua famosa Roda Gigante, seus quase 6 km2 de área estão cobertos por árvores de grande porte e vegetação ribeirinha típicaDentro da área do Prater está o principal estádio de futebol da cidade, por sua vez vizinho da piscina pública do Estádio, um complexo de esporte e lazer de dimensões proporcionais às do parque. Tênis, rugbi, equitação estão entre os outros esportes que podem ser praticados no Prater. Em sua imediata vizinhança estão ainda o Centro de Feiras e Convenções e o recém-inaugurado Campus da Universidade de Economia, que virá trazer um público grande de universitários para o cotidiano da região.
A alameda do Prater conecta-se diretamente por ciclovias tanto ao centro da cidade como à ilha do Danúbio, estando unidas assim as duas mais importantes áreas de lazer sobre duas rodas da cidade. Enquanto o Prater tem um público mais familiar, lugar onde muitas crianças aprendendo a andar de bicicleta, a Ilha do Danúbio é o lugar dos que treinam com todo o equipamento de competição (lá se tem a impressão de que muitos vienenses são ciclistas profissionais, com suas bicicletas e indumentária de quem treina para bater recordes oficiais de velocidade). Não é à toa que os primeiros edifícios de habitação da cidade que forma construídos sem garagens e em vez disso com bicicletário com generosa oferta de vagas, estejam exatamente em suas imediações.
Voltando ao Prater, a velocidade é baixa, a sombra das árvores, um luxo e o asfalto é de primeira. Só não pode se descuidar dos que estão treinando para a próxima maratona. Mas sem neura, há espaço de sobra.

domingo, 4 de agosto de 2013

dias de cão

Ao sul de Viena, a grama e o que não foi cultivado nas plantações de milho ou trigo, tudo está seco depois de vários dias com temperaturas acima de 30°C.
São os dias de cão, imortalizados no filme homônimo de Ulrich Seidl, no original, Hundstage. Muito longe de qualquer brisa marinha, quando o calor do Saara chega aos Alpes, é preciso esperar que alguma potente frente fria vinda de longe cause um toró. Está tudo lá no filme.
Há muitos séculos estas semanas entre finais de julho e início de agosto são assim chamadas na Áustria por reunirem os dias mais quentes do ano, não por acaso, simetricamente, o período do ano onde com maior freqüencia acontecem no sul e suldeste do Brasil os dias mais frios do inverno.
Há alguns anos atrás, Anete e Paeta vieram me visitar exatamente em uma semana como esta de agora. Mal conseguíamos ir de sombra em sombra para ver as casas de Adolf Loos no 13° distrito. Paeta disse que ia voltar correndo para Aracaju para passar menos calor.
Este foi um domingo no meio dos dias de cão, que este ano vieram com toda força (já so sábado, foram batidos todos os recordes históricos de medidas de temperatura). Um dia com direito a trovão, raio e chuva depois do por-do-sol.
Agora pela manhã, os jornais falam da grande destruição que este toró causou ontem em várias partes da Áustria e sul da Alemanha. Neste momento, o sol está de volta, como se nada tivesse acontecido: previsão do dia: 36°C!