domingo, 15 de junho de 2014

da vaia, do Estado e do parlamentarismo

A vaia na abertura da Copa foi o atestado mais vivo de que o parlamentarismo precisa urgentemente substituir o presidencialismo, ainda que ela não seja uma razão para a mudança de regime.
O público presente no estádio enalteceu um dos símbolos do Estado, o hino; longe de qualquer ofensa àquilo para o qual a seleção de futebol também está em rela
ção de representação, o público fez o hino nacional vibrar por mais tempo que a gravação da base com os instrumentos. Então o público não tinha problemas com o Brasil, com esta entidade que une os brasileiros independente de suas opiniões políticas, este denominador comum geral, sustentado por cultura e pela própria máquina estatal. 
Em uma cerimônia como esta, o país é normalmente representado pelo chefe de Estado, que em democracias parlamentaristas não desempenha nenhuma função no governo.
As vaias e o xingamento na abertura da Copa foram para o chefe de governo, que infelizmente no Brasil é também o chefe de Estado.
Aquela cerimônia não tem nada a ver com o governo (ou melhor, nao deveria, exatamente para não ser cooptada), mas era a chefe do governo que estava lá, vestida com as cores da bandeira nacional, tentando capitalizar em votos algo que deveria estar acima da disputa eleitoral pelo governo. Nisso ela ofendeu o Estado. Mas poucos se importam com ele no Brasil.

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