terça-feira, 22 de julho de 2014

bobagens, tolices, criancices

O rapaz está semivestido de preto.
Botas, saia sobre uma tanga fio-dental e um chapéu-máscara, tudo em preto.
O rapaz fez fotos em casa, o rapaz fez fotos à porta da Igreja da Sé, antes e durante a subida da escadaria, dentro da igreja. A última foto da sequência mostra o momento em que um senhor trabalhando de segurança se dirige a ele, o rosto do senhor expressa reprovação. A função da sua entrada na igreja estava cumprida, algum atrito precisava ser criado.
Ao redor, sentados nos bancos da igreja, as pessoas o olham com desdém ou indiferença.
O rapaz deixa claro na sequência das fotos que o que lhe interessa é mostrar a bunda. É como se não vivêssemos no mundo da explosão de imagens pornográficas na internet, onde qualquer pessoa pode ver milhões de bundas mais ou menos peludas.
Com o rosto coberto e dentro de um espaço religioso, como não lembrar do concerto da banda Pussy Riot abortado pelas forças de segurança em Moscou e que resultou na prisão das ativistas-músicas?
Sim, imagens geram associações fáceis, entretanto ilusórias. O conteúdo político da ação das ativistas está determinado sobremaneira pelo seu contexto e, principalmente, pelo texto cantado pelas músicas-ativistas. Ali havia conteúdo.
Em São Paulo havia somente uma bunda peluda. E um rosto escondido.

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