quarta-feira, 4 de março de 2015

depois da chuva depois de todo mundo

Hoje finalmente assisti a Depois da Chuva. Difícil fazer algum comentário, depois de tanto que já li sobre o filme. Gostei muito. Marília e Cláudio fizeram um monumento à Salvador dos nossos tempos de adolescentes, seu filme é sobre uma Salvador que guardava um foguete no subúrbio caso não restasse outra coisa a fazer que ir embora. Salvador em meados dos anos 80 guardou em pequenos grupos de amigos, bandas de rock e seus fãs e nos corredores de colégio uma esperança de não estar submetida a uma única, massificante expressão local de cultura popular.
Na cena da sala do bilhar, a música de Luís Caldas serve para índice do que ali se anunciava como futuro asfixiante que, como sabemos hoje, veio. Era uma Salvador que negava ao mesmo tempo a herança hippie de Arembepe, que adentrava os anos 80 vinda da década anterior, e a alegria facilmente celebrada na semana de Momo. Em 1989, o ano da primeira eleição para presidente, já se iam dois anos que Faraó havia estourado.
É impressionante o esforço que os diretores tiveram para filmar externas na cidade: parece ter sido muito difícil conseguir filmar em uma ambiência urbana que guarde aspectos da cidade de há trinta anos, provavelmente tanto quanto se a história fosse situada no século XVIII ou XIX. Os planos com focos distintos é o único recurso possível. Borrada é a memória que se tem da cidade que se identificou com o Camisa de Vênus; o foguete do Subúrbio era uma miragem e portanto nunca alçou vôo.
Que venha o próximo longa!

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