segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Big Jato, no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema


Big Jato é um bom filme de entretenimento, o que é sublinhado várias vezes por um dos personagens, e um representante clássico do que se convencionou chamar "cinema de Pernambuco", com seus sotaques, ambiência em um interior capaz de guardar os segredos das histórias universais e boa fotografia. O público se diverte com o filme e aplaudiu com vontade no final da sessão de ontem no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema.
A história de um menino que acompanha seu pai em um caminhão limpa-fossa combina o processo de amadurecimento de um adolescente em vias de se tornar um adulto com o motivo do anjo bom e do anjo mau tentando interferir nas decisões que marcam este processo. Família, conexão com o vasto mundo, sexualidade, trabalho, poesia e amor são os desafios colocados no percurso, que tem no ir e vir do caminhão limpa-fossa uma interessante metáfora dupla dos ciclos aparentemente imutáveis, mas constantemente "ameaçados" pela sedução dos processos de modernização.
Calcado fortemente na excelente atuação dupla de Matheus Nachtergaele, o filme dirigido por Cláudio Assis peca entretanto por alguns excessos (há personagens demais, a exemplo do Príncipe ou da irmã na família, cujas funcionalidades na trama não ficam claras, um exagero um tanto artificial na literariedade de algumas falas e na repetição de algumas tiradas engraçadas) e por uma ou outra cena onde o conjunto dos atores não parece dar conta da dramaticidade requerida. O grande destaque vai para o difícil equilíbrio conseguido entre três personagens centrais dentro de uma história que a princípio teria um protagonista indiscutível, o que gera uma interessante tensão.
Há algo mais, talvez um tanto difuso, que fica após ter visto Big Jato: será o momento de ser avaliado um determinado protagonismo que a fotografia - estonteante, arrebatadora - assumiu no cinema no país?

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