quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Garoto, no XI Panorama Internacional de Cinema


Ontem minha programação no Panorama foi contracultural (no sentido mais aberto da expressão, distante do seus significado ligado mais precisamente aos anos 60): tanto Garoto como Boi Neon são filmes que desafiam valores, opiniões e agitações muito em voga no país atualmente. E por isso já possuem um valor à parte.
Garoto, o filme dirigido por Júlio Bressane, segue a tradição do diretor, de obras muito pessoais. Fotografia com ênfase em diagonais planas e perspectivas do eixo vertical dramatizadas marcam a primeira parte do filme, enquanto a segunda, em contraste visual e de ambiência (do bosque à caatinga), é marcada por perspectivas aéreas de paisagens.
A distinção entre os dois momentos no filme - a que corresponde à mudança de protagonismo entre os dois personagens, já que a garota cede ao garoto esta posição depois desta transição - é clara e precisa, afinal o filme é uma versão cinematográfica da antiga história de Eva e Adão. O tempo é longo, assim como é de épocas imemoriais o bolero.
O que tem de contracultura no filme? À passagem da dupla de Eva e Adão para Adão e Eva corresponde uma visão igualmente feminista e anti-feminista desta versão ficcional da origem da espécie humana no planeta. No país onde a palavra deconstrução é tão incompreendida como abusada, a elaborada extensão no tempo desta ficção, acompanhada de um excelente desenho de sons, poderia até ser didática (sem excessos de formalismos). Mas desconfio que poucos assistirão a este Garoto.

Um comentário :

Iago Cordeiro Ribeiro disse...

de fato eu não assisti à esse Garoto, na verdade fiquei bem entediado e sem saber para onde o filme estava indo, em um momento a garota fala ''há uma luz que vem até nós, mas não chega até nós'' pra mim o filme foi um pouco isso, mas ela complementa ''tudo que fazemos e queremos tem um sentido'' (ou algo assim) infelizmente eu não peguei.